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Sejam bem vindos. O objetivo deste Blog é informar as pessoas sobre os mais variados assuntos, os quais não se vê com frequência nas mídias convencionais, em especial acerca dos direitos e luta da juventude e dos trabalhadores, inclusive, mas não só, desde o ponto de vista jurídico, já que sou advogado.

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sábado, 6 de agosto de 2011

Celso Amorim: retire as tropas do Haiti

O Brasil vive uma ocupação militar, a serviço das multinacionais. Desafiamos o governo Dilma e o novo ministro a acabar com essa triste história.

por José Maria de Almeida*
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Celso Amorim, novo ministro da Defesa

Nesse dia 4 de agosto, a presidente Dilma Roussef demitiu o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Para o posto foi escolhido o ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim.

Na dança das cadeiras do governo Dilma, foi o terceiro ministro posto para fora. A troca foi criticada pela oposição de direita e pelos militares, e comemorada por muitos setores de esquerda.

Entre estes últimos, foi possível perceber duas ideias. A primeira, de que Dilma estaria alterando a orientação da pasta, comandada por Jobim desde 2007. A segunda, de que Celso Amorim representaria uma política mais progressista e independente, como teria mostrado na condução da política externa do governo Lula, de viés supostamente 'antiimperialista'.

Mas, seria mesmo assim? Teria Dilma, de repente, decidido alterar o foco do Ministério da Defesa?

Dilma se viu praticamente obrigada a demitir Jobim após as inúmeras críticas e declarações constrangedoras ditas pelo então ministro à imprensa. Primeiro, na comemoração dos 80 anos de FHC, Jobim declarou que “agora, os idiotas perderam a modéstia”, o que muitos imediatamente associaram ao governo do PT.

Pouco depois, em entrevista à Folha de S. Paulo, o ministro nomeado por Lula confessou que votara em José Serra nas eleições presidenciais. Que Jobim era ligado ao PSDB todos já sabiam. Além de ter sido nomeado ministro do STF por FHC, já havia sido ministro da Justiça do tucano. O que muitos acharam inconseqüente foi ele ter declarado abertamente sua preferência.

A gota d’água veio com as críticas de Jobim às ministras de Dilma, Ideli Salvatti e Gleisi Hoffman, à revista Piauí. Sob o risco de se desmoralizar, Dilma não viu alternativa a não ser anunciar a demissão de Nelson Jobim.

Ou seja, a retirada do ministro não ocorreu por discordâncias na atuação de Jobim à frente do ministério.

Dilma não é contra o plano de Jobim de privatizar os aeroportos, coisa que seu governo está fazendo agora. Não há nenhum questionamento no uso de militares de todas as forças na ocupação de morros e comunidades do Rio de Janeiro, como no Complexo do Alemão, em uma experiência que promete se repetir. E o governo do PT, assim como Jobim, tampouco defende a revisão da lei da anistia, que mantém os assassinos e torturadores da ditadura impunes, como o ex-comandante do DOI-CODI, Carlos Alberto Ustra. Nem se coloca a favor da abertura dos arquivos secretos, que poderiam jogar luz nos crimes cometidos em nome do Estado, inclusive durante os anos de chumbo.

Celso Amorim
Apesar de atabalhoada, a troca de Jobim por Amorim imprimiria uma alteração na lógica da Defesa? Os defensores do novo ministro se baseiam na política externa do governo Lula. Nos oitos anos de Lula, a movimentação do Brasil na política internacional foi um dos únicos, senão o único, elemento pinçado por aqueles que defendiam a tese do ‘governo em disputa’, para mostrar uma faceta de esquerda de Lula.

Era citada, por exemplo, a aproximação do Brasil com países do Oriente Médio, como o Irã, o que gerou na época críticas do governo dos EUA. A articulação do G20 em contraposição ao G8 em plena crise econômica mundial foi outro aspecto visto como uma posição independente de Lula, dirigida por Celso Amorim, assim como as visitas e declarações do então presidente em favor de Fidel Castro e de governantes como Chávez e Morales.

Um aspecto fundamental da política externa, porém, é sempre “esquecido”: Desde 2004 o Brasil lidera tropas militares que ocupam o Haiti.

Sob a justificativa de “ajuda humanitária”, os soldados da ONU que fazem parte da Minustah, já reprimiram inúmeras vezes mobilizações de trabalhadores e estudantes no país.

Como candidato à Presidência, eu estive no Haiti após o terremoto. Fui o único candidato a visitar o país. Meses depois da tragédia, a ajuda não havia chegado. O papel das tropas da ONU foi de proteger o aeroporto e a zona franca e, depois, de levar o vírus da cólera ao país, causando uma epidemia. Até hoje, a situação é a mesma.

Desde o primeiro momento, o PSTU denunciou a ocupação militar do Haiti. Os soldados comandados pelo Brasil de Lula e Dilma atuam para estabilizar o país, reprimir os movimentos sociais e garantir os interesses dos EUA na região. Recentes divulgações de telegramas diplomáticos, pelo WikiLeaks, confirmam isso.

Em 2004, após o golpe que derrubou Aristides, o embaixador norte-americano no Haiti alertou Washington sobre a necessidade de uma intervenção militar no país, a fim de neutralizar “forças políticas insurgentes populistas e a economia antimercado” e também o “êxodo de migrantes por via marítima”.

Já em 2008, ainda segundo documentos tornados públicos pelo WikiLeaks, quando o Haiti enfrentava uma grave crise devido à inflação dos alimentos, a embaixada norte-americana se reuniu com os donos das fábricas que prestavam serviços a grandes empresas como a Levi’s e outras. O motivo: alertar para que os empresários não cedessem às mobilizações pelo aumento do salário mínimo. Na época, as tropas agiram de acordo com essa orientação e reprimiram duramente as manifestações, inclusive sobre a juventude.

A tentativa era garantir que o país caribenho continuasse com um dos menores salários do mundo. Para os EUA, o Haiti deveria continuar servindo como celeiro de mão-de-obra barata às multinacionais, principalmente às do setor têxtil. Foi em favor dessa política que o Brasil esteve empenhado durante todo o governo Lula, com Amorim à frente. E com o olhar atento dos empresários brasileiros, como os da Coteminas.

É hora de exigir a retirada das tropas
Coincidentemente, dias antes de ser nomeado ministro por Dilma, o ex-chanceler de Lula concedeu uma entrevista em que defende a retirada das tropas do Brasil do Haiti. Celso Amorim afirma que o objetivo da missão já havia sido cumprido e que a relação entre o Brasil e o Haiti deveria ser de “natureza econômica e social”.

Alçado à condição de ministro, é improvável que ele mantenha essa posição. Até mesmo porque participou diretamente de todas as etapas da montagem desta ocupação militar.

Mas, independentemente das avaliações que fazemos sobre o governo Lula e mesmo sobre o governo Dilma, é hora de exigirmos que Celso Amorim, agora à frente do Ministério da Defesa, faça jus às suas próprias palavras e atue pela imediata retirada das tropas brasileiras do Haiti e o fim definitivo da ocupação militar no país.

Lançamos o desafio ao novo ministro da Defesa e ao governo Dilma. Desafiamos o Brasil a retirar todos os seus soldados do país caribenho, o primeiro país a ver uma revolução negra na história das Américas. Deixemos de lado essa mentira, de que os haitianos não conseguem dirigir o seu país. Desafio o governo petista a retirar as tropas e condenar a ocupação militar. Não é livre um país que ocupa outro.

* José Maria de Almeida, o Zé Maria, é Presidente nacional do PSTU e foi nosso candidato a Presiência da República, nas últimas eleições presidenciais (Nota de Adriano Espíndola)

Fonte: site do PSTU, clique aqui e visite 

sábado, 17 de abril de 2010

Vídeo de Zé Maria, candidato a Presidente do Brasil, sobre visita ao Haiti

O portal do PSTU publicou no último domingo mais um video da série cinco minutos. Desta vez a temática é a situação da Haiti nas palavras do companheiro Zé Maria que visitou o Haiti de 3 a 9 de abril junto com uma delegação da CONLUTAS.

Não deixe de assistir e deixar um comentário em nossa conta no YouTube tal como fizeram os companheiros marcosvs1917 e Demian1917.

 

 

Fonte: Blog Molotov, o blog do PSTU, clique aqui e visite

sábado, 3 de abril de 2010

PSTU: Zé Maria é o primeiro pré-candidato à presidência a visitar o Haiti


José Maria de Almeida, o Zé Maria, pré-candidato a presidente da República pelo PSTU, inicia uma visita ao Haiti nesta semana. Durante quatro dias, até 3 de abril, ele percorrerá o país, conhecendo a situação dos haitianos após o terremoto e reunindo-se com representantes de sindicatos e movimentos sociais.

Zé Maria fará parte de uma delegação da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), que levará a solidariedade dos trabalhadores brasileiros. A Conlutas tem feito uma campanha que já enviou R$ 160 mil ao povo haitiano. Trabalhadores de todo o país fizeram doações, como os metalúrgicos da General Motors, de São José dos Campos. "Essa campanha é muito importante, porque é uma solidariedade de classe. São os trabalhadores daqui ajudando os de lá", afirma Zé Maria.

Além da solidariedade, a visita e a campanha apóiam a luta pelo fim da ocupação militar, comandada pelo Brasil. "Defendemos a imediata retirada das tropas da ONU. O Haiti precisa de médicos, engenheiros, alimentos, e não de soldados. A verdadeira função das tropas lá é proteger os interesses das empresas, e para isso, chegam a reprimir os protestos contra o menor salário das Américas", afirma Zé Maria.

Se Lula abandona todas as tradições da esquerda ao se aliar a Bush, Clinton e Obama na ocupação militar do Haiti, Zé Maria vai a esse país para mostrar que o governo não fala em nosso nome.

O internacionalismo concreto é parte das tradições da esquerda socialista. Nos tempos atuais em que vemos tantos exemplos da degradação da esquerda simbolizadas nas práticas do PT, é muito bom resgatar bandeiras tão importantes como o  internacionalismo proletário.


Os holofotes da grande imprensa não estarão lá, mas seguramente os ativistas que saberão dessa  visita estarão orgulhosos de saber que sua luta contra a ocupação militar do país vai estar representada nessa delegação. E ajudarão a divulgá-la, lutando contra a corrente.

Leia também no PORTAL DO PSTU:

Bush limpa as mãos após cumprimentar haitiano

Zé Maria: “É preciso uma candidatura que exija o fim da ocupação militar”

Acompanhe a cobertura da viagem ao Haiti

segunda-feira, 22 de março de 2010

ESTUPIDEZ CAPITALISTA: GM barra ajuda operária ao Haiti


Medida entra em choque com decisão de assembleias entre os metalúrgicos


DA REDAÇÃO DO JORNAL OPINIÃO SOCIALISTA

Depois de realizar diversas assembleias para a campanha de solidariedade operária aos trabalhadores haitianos, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) denuncia uma grave retaliação da patronal.

Os dirigentes da montadora General Motors (GM) informaram ao sindicato que não realizarão o desconto em folha de 1% dos salários dos trabalhadores da fábrica. A atitude da empresa entra em choque com a resolução aprovada pelos trabalhadores em assembleia realizada no dia 11 de fevereiro. “Depois de realizar uma grande campanha e aprovar a ajuda dos metalúrgicos aos trabalhadores haitianos vitimados pelo terremoto, começamos a ter algumas surpresas. A GM diz que não vai fazer o desconto aprovado na assembleia e alegou problemas ‘legais’. No entanto, sabemos que o problema é de ordem política”, diz o presidente do sindicato, Vivaldo Moreira.

Para ele, a ação da GM pode estar relacionada às retaliações da empresa ao sindicato, que trava uma luta contra as propostas da montadora de precarizar os direitos trabalhistas.

Em cada assembleia realizada pela campanha, os operários responderam com entusiasmo o chamado a favor da solidariedade de classe e da mobilização pelo fim da ocupação militar no país. Em São José dos Campos, mais de 10 mil metalúrgicos da região aprovaram o desconto de 1% de seus salários aos trabalhadores haitianos. Além da GM, a campanha também teve forte adesão de metalúrgicos de fábricas como Hitachi, Bundy, Gerdau, Heatcraft, Trelleborg, Sobraer, Sopeçaero, Dovale, Pesola, Gomy e outras.
O Sindicato dos Metalúrgicos estima que, somente na GM, o desconto representaria uma ajuda de R$ 300 mil aos trabalhadores do Haiti. O dinheiro seria enviado para a organização operária e popular do Haiti Batay Ouvriye (Batalha Operária). A campanha está sendo organizada pela Conlutas em todo o país e já arrecadou mais de R$ 160 mil.

Denúncia
O sindicato iniciou uma ampla campanha de denúncia da retaliação da GM. Segundo Vivaldo, serão feitas manifestações dentro da fábrica, além de denúncias internacionais. “Nesta quarta-feira [dia 17] vamos a Brasília em uma audiência com a OIT [Organização Internacional do Trabalho] denunciar o fato de a empresa não ter cumprido uma determinação aprovada em uma assembleia de trabalhadores. A posição da GM atenta contra a autonomia da organização sindical”, disse o dirigente. Além disso, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também será procurada pelo sindicato.

Vivaldo afirma que a ação da GM deve ser combatida para que a patronal não siga seu exemplo e cumpra a decisão das assembleias dos trabalhadores, descontando em folha a ajuda aos operários haitianos.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Campanha de internacional de solidariedade operária e popular com o Haiti está em marcha!

A campanha de solidariedade operária e popular ao Haiti continua se desenvolvendo, com a exigência pelo fim da ocupação militar. Nesta edição alguns relatórios que nos chegaram da Argentina, Brasil e Espanha. Elas incluem atos, mobilizações, debates e campanhas de arrecadação de fundos que serão entregues a organizações operárias e populares haitianas como Batay Ouvriye.

No Brasil, a arrecadação de fundos nos sindicatos e nas organizações, organizada pela Conlutas para ser entregue a Batay Ouvriye, já conseguiu 100.000 dólares, em uma primeira etapa, e continuará. A Conlutas propôs enviar uma delegação ao Haiti que entregue a Batay Ouvriye o dinheiro arrecadado.  Assim o informou Zé Maria de Almeida no debate sobre Haiti, realizado no recente Fórum Social Mundial de Salvador, Brasil, onde também se efetuou um ato de solidariedade ao povo haitiano e de repudio à ocupação.

Na Argentina, por sua vez, constituiu-se o Comitê Nacional de Solidariedade ao Haiti, integrado por diversas organizações sindicais, de direitos humanos e partidos políticos. O Comitê lançou uma campanha de arrecadação de fundos (com a realização de um festival artístico solidário) que serão entregues, de modo independente dos canais oficiais, às organizações operárias e populares haitianas. Ademais, está convocada uma mobilização à embaixada norte-americana, para o dia 5 de fevereiro próximo.

Enquanto isso, na Espanha, o Comitê de Empresa dos trabalhadores da UPS de Vallecas, Madri (empresa multinacional de cargas e correio) lançou uma campanha de arrecadação de fundos (e aberto uma conta bancária para isso) que também serão entregues a Batay Ouvriye.

A LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional) adere a cada uma destas iniciativas e chama a redobrar esta campanha em todo mundo. Apresentamos aqui as contas bancárias em que essa ajuda possa se fazer efetiva.

1) A conta indicada por Batay Ouvriye em seu chamado é:

Bank Name: City National Bank of New Jersey

Bank Address: 900 Broad Street, Newark, NJ 07102

ABA Number: 0212-0163-9 City of NJ Newark

For further credit to:

Account Number: 01 000 98 45

Account Name: Batay Ouvriye

Account Address: Ave. Jean Paul II, # 7

A direção para o envio de ajuda material:

Porto Príncipe, Haiti: Batay Ouvriye, Delmas 16, # 13 bis

2) A conta da campanha aberta pela Conlutas no Brasil é:

Titular: Coordenação Haiti

Banco do Brasil

Agência 4223-4

Conta 8844-7

3) Na Espanha a conta dos trabalhadores da UPS é:

A CAIXA

2100 4035 87 2200053765

Fonte: ww.litci.org

sábado, 30 de janeiro de 2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Surge a Frente de Solidariedade ao povo haitiano

Cecília Toledo
da revista Marxismo Vivo

No dia 18 de janeiro, em São Paulo, Brasil, se formou a Frente Nacional de Solidariedade ao Povo Haitiano. Participaram do encontro 23 organizações sindicais e sociais, entre elas Conlutas, Via Campesina, Jubileu Sul, Cáritas e o Comitê Pró-Haiti (que vêm desenvolvendo ações de solidariedade ao Haiti: campanhas contra a militarização do país e a favor da retirada das tropas da ONU (Minustah) do território haitiano. Esta primeira reunião foi importante para unir e consolidar estas diferentes ações e culminar numa ampla ação dos movimentos sociais brasileiros em solidariedade ao Haiti.

O primeiro grande objetivo era realizar uma discussão ampla de todas as frentes, grupos, comitês e movimentos sociais para definir a melhor forma de ajudar o povo haitiano. Além de trabalhar na construção de uma rede de solidariedade de classe com o povo haitiano, a reunião definiu continuar a campanha contra a presença das tropas da Minustah no país, que mantêm a lógica de ocupação.
Por isso, além de ampliar e efetivar as ações de solidariedade neste momento tão crítico, assim como colaborar com a reconstrução do Haiti, a Frente tem como meta comum fortalecer a campanha pela retirada das tropas da Minustah do território haitiano.

Principais resoluções
A Frente tomou como primeiras resoluções a elaboração de duas cartas, explicando sua posição. A primeira, de apoio ao povo haitiano e às organizações sociais do país, anunciando a formação da Frente Nacional de Solidariedade. A segunda, exigindo que os governos e a comunidade internacional assumam sua responsabilidade com o povo haitiano e a reconstrução do país, além da restituição da soberania nacional do Haiti. A carta também denuncia a violação dos direitos humanos, o fechamento das fronteiras e a ocupação militar.

Além dessas duas cartas, assinadas por todas as organizações presentes, foram tomadas algumas decisões fundamentais. Entre elas:

  • desenvolver uma campanha de solidariedade ao Haiti com recursos financeiros, alimentos, sementes, água etc., envolvendo a população, sobretudo os militantes, esclarecendo a situação do país e encaminhando a ajuda financeira às organizações e movimentos sociais do Haiti;
  • pressionar o governo brasileiro para que disponha transporte para o envio das arrecadações (alimentos, água, medicamentos e sementes), e, sobretudo, para que as tropas militares atuem na reconstrução do país e não cumprindo papel de polícia a serviço dos Estados Unidos;
  • destinar os recursos financeiros diretamente arrecadados às entidades e movimentos sociais do Haiti, para que essa contribuição ajude a salvar vidas e a diminuir o sofrimento do povo mais pobre e carente do continente, além de favorecer a reorganização dos trabalhadores e a reestruturação do país. Esta resolução, que tem um posicionamento político bem claro, é no sentido de contribuir com o fortalecimento dos movimentos sociais, ajudar na reconstrução do país em curto, médio e longo prazos, resgatando suas lutas históricas e permitindo a construção de sua autonomia e soberania;
  • enviar uma brigada para contribuir na reconstrução do país, integrada basicamente por médicos, engenheiros, arquitetos e técnicos das distintas áreas mais essenciais no momento;
  • lutar pelo cancelamento imediato das dívidas do Haiti e contra a privatização dos bens e serviços existentes (comunicação, água, energia), e contribuir com a luta por serviços públicos de qualidade para a população (alimentação, água, saúde, saneamento, educação, moradias, transporte);
  • ampliar a campanha de esclarecimento à população brasileira sobre os fatos que estão ocorrendo no Haiti, tirando o foco de informação da Rede Globo e de outros meios de comunicação;
  • utilizar os meios de comunicação de que dispomos nas entidades para difundir a situação do povo haitiano;
  • criar um coletivo de coordenação entre essas entidades para impulsionar as ações a curto, médio e longo prazos;
  • manter os contatos com as entidades que já estão no Haiti para ajudar de lá na coordenação da campanha.
  • Resoluções mais urgentes
    Além da elaboração das duas cartas, algumas resoluções têm caráter de urgência. Entre elas, a definição das organizações que receberão as contribuições no Haiti e iniciar imediatamente a arrecadação de alimentos (enlatados e não perecíveis), água, sementes, equipamentos de construção, medicamentos (antibióticos e analgésicos) e materiais para curativos (algodão, antissépticos, soro, gaze e esparadrapos).
    As entidades têm autonomia para realizar, segundo seu critério, una coleta financeira nacional (por exemplo, um dia de salário em solidariedade ao Haiti ou outras formas). A transferência desse valor se fará diretamente às organizações sociais do Haiti. Todos os envios devem ser informados ao grupo de trabalho executivo da Frente, para que se possa ter uma ideia da dimensão da campanha.
    A médio e longo prazos, o envolvimento dos movimentos sociais na reconstrução do Haiti deverá ser um processo contínuo no sentido de ajudar a fortalecer as entidades e movimentos sociais locais para a reconstrução do país, junto com a população do campo e da cidade. A proposta que move a Frente de Solidariedade não é a de substituir o povo haitiano nas tarefas, mas perguntar quais são suas necessidades e em que podemos contribuir para sua recuperação.
  • Mobilização nacional por um Haiti livre e soberano
    A longo prazo, ficou definido realizar uma Mobilização Nacional no dia 21 de março, Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial. Sair às ruas em atos, protestos, denúncias, atos culturais, além de recolher recursos financeiros. As atividades serão realizadas nos estados, articulando as organizações da Frente e envolvendo o máximo possível de forças sociais.
    O dia 22 de março será dedicado a ações culturais para a população, com concertos musicais, venda de produtos e arrecadação financeira para contribuir com a reorganização das organizações e dos movimentos sociais do Haiti e para a reconstrução das casas e das condições de vida do povo haitiano.
    A proposta é que este esforço de mobilização em solidariedade ao povo haitiano, pela retirada das tropas e pelo não-pagamento das dívidas do Haiti, denominado “Por um Haiti livre e soberano”, tenha alcance nacional, envolvendo o máximo possível de entidades estudantis, populares e de trabalhadores.
    Para continuar a campanha, foi marcada uma nova reunião em 23 de fevereiro próximo. Formou-se uma comissão para coordenar os trabalhos, composta pela Via Campesina, Jubileu Sul, Cáritas, Marcha Mundial de Mulheres, Conlutas, Assembleia Popular, Comitê Pró-Haiti, Action Aid, Reprip, CUT, Intersindical, Movimento Negro Unificado e Articulação de Mulheres Brasileiras
  • Fonte: site do  PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, clique e visite

    terça-feira, 26 de janeiro de 2010

    Direto do Haiti: A ajuda internacional não se vê, não se come e não se bebe, só se ouve

    Por Otávio Calegari Jorge*

    Estive no Haiti junto a um grupo de estudantes, uma fotógrafa e um professor da Universidade Estadual de Campinas, desde o dia 3 de janeiro. O projeto de pesquisa que visávamos desenvolver englobaria diversos aspectos da realidade haitiana, dentre eles, as percepções da população acerca da ocupação militar da Minustah, liderada pelo Brasil.
    Infelizmente, fomos surpreendidos pelo terremoto do dia 12, o que nos fez reavaliar nossa permanência no país, bem como o próprio papel que poderíamos cumprir através da denúncia sistemática dos recentes acontecimentos.

    Ocupação e a solidariedade popular
    O terremoto, mais do que uma catástrofe natural, foi a explicitação mais brutal de uma catástrofe social já em andamento no Haiti. A situação pela qual passamos após o dia 12 nos revelou, sem qualquer máscara, diversos aspectos do momento pelo qual passa o Haiti hoje.

    A ocupação da ONU se mostrou totalmente fracassada. O já frágil Estado haitiano literalmente desmoronou. Com ele foram os maiores prédios das Nações Unidas, tanto civis quanto militares.

    O que pudemos presenciar nos quatro dias após o terremoto, antes de deixarmos o Haiti, foi uma solidariedade invejável do povo haitiano e uma ausência completa dos militares e civis da Minustah.

    Caminhar pela Champ de Mars, principal praça de Porto Príncipe, nos dias posteriores ao terremoto, nos mostrou a realidade nua e crua. Enquanto víamos na mídia internacional que milhões de dólares seriam doados para ajudar os haitianos, o que pudemos presenciar foi uma cidade extremamente destruída, mas extremamente viva.

    As praças que cercam o Palácio Central se transformaram em imensos campos de refugiados. Milhares de pessoas se aglomeravam, e ainda se aglomeram, em todos os lugares onde não haja prédios ou casas por perto. O mais incrível, no entanto, foi a organização popular. O “chien jambe” – comércio informal de comida nas ruas – se mostrou o único meio de acesso dos haitianos que haviam perdido suas casas, bem como seus parentes e amigos, à comida.

    Os únicos caminhões que matavam a sede das pessoas eram caminhões da iniciativa privada, provavelmente liderados pelos próprios motoristas, que distribuíam água a filas imensas. Também a organização para retirar escombros e resgatar pessoas se deu de maneira muito rápida, apesar da precariedade dos instrumentos. Pudemos ver, em várias horas de caminhada durante os dias seguintes ao terremoto, apenas algumas poucas retro-escavadeiras e alguns caminhões para remover os corpos que se acumulavam pelas ruas de Porto Príncipe. A ONU simplesmente desapareceu.
    Na verdade, não desapareceu. A Minustah estava totalmente empenhada em resgatar seus próprios militares e civis, bem como remover os escombros do Hotel Montana, onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros. Os haitianos ajudam os haitianos, a ONU ajuda a ONU, esta tem sido a regra.

    Descaso da “comunidade internacional”
    A ajuda internacional, tão propagandeada por todos os lados, não chega. Como disse um haitiano ao jornal El País, da República Dominicana, a ajuda “não se vê, não se come e não se bebe, só se escuta”.

    Os problemas físicos de Porto Príncipe, que até agora servem de argumento para a demora na chegada de ajuda, escondem o verdadeiro aspecto do problema. Infelizmente, não se tratam de problemas de logística, como querem propagandear os organismos internacionais, mas de um total descaso com a população haitiana. Em nenhum momento foram consultados os próprios haitianos, que colocam a cidade em movimento, sobre a maneira como deveria ser organizada a chegada de alimentos, remédios ou água.

    O que se vê é justamente o contrário. Não só os alimentos estão encarcerados no aeroporto e as dezenas de carros e caminhões da Minustah estão parados nos batalhões, como há uma predisposição clara em priorizar o envio de militares para “garantir a segurança” da distribuição.

    Os casos de saques e violência, até o momento em que permanecemos em Porto Príncipe, eram extremamente localizados. E mais, eram pais e mães de família que estavam tentando resgatar o que fosse possível dos supermercados destruídos. A Polícia Nacional Haitiana, frágil e pequena, tem cumprido bem o seu papel – resguardar as lojas e supermercados, mesmo os destruídos, do povo faminto.

    A violência, como se daria em qualquer país do mundo, tende a aumentar. A causa desse aumento, no entanto, se dá pela falta rápida de socorro. Quanto mais tempo demorar, mais o povo se rebelará. Os Estados Unidos já perceberam isso, assim como a ONU e o Brasil. Milhares de mortos a mais, para a “comunidade internacional”, não são importantes, afinal, são negros, pobres e rebeldes. O importante é decidir quem controlará, através do maior e mais potente efetivo militar, o futuro dos haitianos que sobrarão.

    * Otávio Calegari Jorge é estudante da Unicamp e militante do PSTU. Estava no Haiti no momento do terremoto que devastou a capital, Porto Príncipe. Pôde testemunhar a destruição do desastre, como também a incrível solidariedade do povo haitiano e o verdadeiro papel que cumprem as tropas da ONU no país, como descreve nesse artigo ao Opinião Socialista

    Fonte: Site do PSTU, clique aquie e visite

    sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

    O Haiti precisa de ajuda humanitária em vez de ocupação


    por Eduardo Almeida, da Direção Nacional do PSTU | publicada em: 17/1/2010
    Jornal do Brasil, de Rio de Janeiro (RJ)

    Estive no Haiti há um mês atrás, falando com operários, estudantes, intelectuais e camponeses. Vi uma tragédia brutal, econômica, social e política, que estava sendo ocultada do mundo, e agora vem à tona com o terremoto.

    Muitas das pessoas e lugares que encontrei não existem mais. Existem dezenas de milhares de mortos nas ruas. Os feridos aguardam socorro que não vem. São os sobreviventes que tentam salvar os feridos nos escombros. Não há bombeiros nem hospitais, só o caos.

    Não se pode explicar tudo pelo terremoto. Mesmo com um desastre dessa magnitude, não era necessário que cem mil pessoas morressem. A real explicação dessa tragédia é a exploração capitalista selvagem que devasta o país. Os EUA controlam a economia do país desde o século passado, através de inúmeras ditaduras (como Papa Doc) e governos “democráticos”.

    O salário mínimo no Haiti é de 120 gourdes na indústria têxtil (pouco mais de cem reais mensais). O desemprego de 70-80% pressiona os trabalhadores a aceitarem essa miséria. Grandes empresas têxteis norte-americanas pagam salários mais baixos que os chineses, para produzir jeans, como Levi’s, Gap, praticamente nas costas dos EUA. Para essas empresas, a miséria haitiana é uma grande fonte de lucros.

    Os moradores de Porto Príncipe, mesmo antes do terremoto, obtêm água em poços artesianos, cozinham com carvão e não têm energia elétrica em suas casas. Os hospitais públicos eram pouquíssimos, sem nenhuma condição de atender a população, mesmo em condições “normais”. Foi por isto que o terremoto foi tão devastador.

    Fiz uma palestra na Faculdade de Ciências Sociais do Haiti. Quando os estudantes ouviram que o governo brasileiro apresenta a Minustah (força de ocupação militar da ONU comandada por tropas brasileiras) como “humanitária”, caíram em gargalhadas.

    Eles me mostraram um painel na entrada da faculdade, em que estava escrito “Não nos pararão” em creóle. As letras do painel eram feitas com as bombas de gás lacrimogêneo que a Minustah lançou contra as mobilizações estudantis em novembro passado. Vinte estudantes foram presos, alguns estavam presentes na palestra. Um dos professores da Faculdade, Jean Anil Juste, que participou das mobilizações foi assassinado algumas horas antes do terremoto, em um crime claramente político.

    Conversei com operários têxteis que me contaram de sua greve em agosto passado, que durou duas semanas, e só terminou pela repressão da Minustah (com duas mortes). A reivindicação era a elevação do salário mínimo para 200 gourdes (cerca de 190 reais).

    A Minustah não tem nenhum papel humanitário. Desafio o governo brasileiro a mostrar qualquer avanço social nesses quase seis anos de ocupação. O que as tropas fazem, na verdade, é garantir a ordem para a exploração do país pelas multinacionais. Isso não tem a ver com muitos dos soldados brasileiros que para ali viajam com boas intenções, mas com o papel real das tropas, definido por seu comando e pelo governo.

    E agora, nesse momento trágico, o que faz a Minustah? A descrição de um grupo de estudantes da Unicamp que está em Porto Príncipe é reveladora: “A situação está se complicando: saindo às ruas em busca de água, o pessoal viu muitas pessoas feridas na rua, mortas, casas desabadas e pessoas retirando os escombros, além de briga por comida, saques, um tiroteio, e o pior, aparentemente, tudo isso sem a presença de nenhum tanque, carro ou oficial da ONU nesses primeiros momentos de pavor a população. Apenas soubemos que as tropas estavam removendo os escombros do Hotel Montana, um dos hotéis da alta classe, onde deveria estar personalidades da ONU.”

    Os mesmos governos que deram 25 trilhões de dólares para os bancos na crise econômica, agora “doam” ninharias para as vítimas do terremoto. A ONU gastou 3,5 bilhões de dólares nos cinco anos de ocupação militar do Haiti e agora “oferece” 100 milhões de dólares. O governo brasileiro gastou cerca de 600 milhões de dólares com as tropas de ocupação, e agora se dispõe a gastar 10 ou 15 milhões de dólares.

    Exigimos do governo brasileiro que retire as tropas de ocupação e utilize o dinheiro que seria gasto com elas em ajuda humanitária. Os soldados devem voltar ao Brasil, para que enviemos comida, roupas, remédios e profissionais de saúde. Ou seja, a verdadeira ajuda humanitária, que nunca existiu.

    O PSTU defende que os sindicatos de todo o mundo façam uma campanha de solidariedade aos trabalhadores haitianos, recolhendo contribuições nas bases, para que possamos enviar diretamente ao movimento operário haitiano. A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e seus sindicatos já estão encaminhando uma campanha nesse sentido.

    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

    Haiti, relato de dois brasileiros sobreviventes comprovam a farsa "humanitária" da Minustah

    Com colaboração de Almir Cezar Filho

    Dois incríveis relatos de testemunhas oculares brasileiras dos terríveis eventos em Porto Princípe, Haiti. Um do estudante da Unicamp Otávio Calegari e do presidente da ong Viva Rio Rubém César.

    A mensagem do estudante da Unicamp, Otávio Calegari, além de mais uma vez comprovar a farsa "humanitária" da Minustah, ausente até o momento nas ruas da cidade, também confirma o assassinato momentos antes do tremor, do professor Université d État, Jean Anil Juste, conhecido intelectual e lutador haitiano. E ainda nega que haja um explosão de violência, como a mídia brasileira e internacional vem tentando mostrar. A solidariedade e organização espontânea dos trabalhadores haitianos vêm sendo os principais meios de resistência e reação diante da catástrofe.

    Já outra testemunha ocular, o sociólogo Rubém César, presidente do Viva Rio, em entrevista apresenta um relato que segue uma linha parecida, obviamente "puxando a sardinha" para sua ong. Porém, bate na tese apresentada pela mídia do suposto "surto de violência" e ainda afirma que o Brasil ajudou até o momento bem menos do que a República Dominicana, o pobre vizinho do Haiti.

    CLIQUE AQUI e leia esse artigo no portal da Conlutas

    e clique aqui e leia a entrevista Rubém Cesar para o site Terra Magazine.

    sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

    Conlutas chama solidariedade urgente ao Haiti

    da redação do Jornal Opinião Socialista

    A Conlutas divulgou uma nota em seu site solidarizando-se com os trabalhadores e o povo haitiano e chamando a solidariedade de classe, fundamental neste momento.

    A entidade esta ainda tentando contato com as organizações de trabalhadores com quem temos relações no Haiti, mas até este momento as comunicações estão muito difíceis. A Conlutas já está encaminhando formas concretas de solidariedade para ajudar os trabalhadores do país.

    Dadas as condições e a dificuldade de transporte de víveres e mesmo de remédio até o Haiti, a entidade acredita que a melhor forma é reunir recursos em dinheiro que possam ser enviados às organizações de trabalhadores daquele país com quem a Conlutas estabeleceu relações neste período na luta pela retirada das tropas estrangeiras que ocupam o Haiti.

    A Conlutas está pedindo aos sindicatos e movimentos que discutam em suas instâncias que tipo de ajuda podem disponibilizar neste momento. Uma das propostas da Conlutas é que os sindicatos organizem uma coleta de dinheiro na própria categoria. A contribuição de um trabalhador brasileiro para ajudar seus irmãos haitianos tem uma importância educativa que vai além do valor financeiro envolvido.

    Por outro lado, como diz a nota da Conlutas, a entidade vai continuar a cobrar do governo brasileiro o fim da ocupação militar do Haiti, e que os recursos utilizados para sustentar a tropa de ocupação sejam revertidos imediatamente em ajuda humanitária, tão necessária neste momento.

    Abaixo segue a conta da Conlutas para os depósitos de Solidariedade ao Povo do Haiti.
    Banco do Brasil
    Associação Coordenação Nacional de Lutas
    AG: 4223-4
    C/C – 8908 – 7

    Leia também:, clicando aqui:  PSTU exige retirada das tropas de ocupação e utilização de recursos com ajuda humanitária

    terça-feira, 15 de dezembro de 2009

    CARTAS DO HAITI

    Amigos e amiga,

    Abaixo publico as Cartas do Haiti, uma série de textos de autoria do militante do PSTU, Eduardo Almeida Neto, que se encontra no Haíti, levando  a solidariedade e repúdio do PSTU e da Conlutas a ocupação daquele país comandada pelo Brasil.

    Cada atalho abaixo refere-se a uma carta.

    Adriano Espíndola

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    1º dia:   'Estou em casa'

    Na quarta-feira, dia 9, Eduardo Almeida desembarca no Haiti. Nesta carta, ele envia suas primeiras impressões, mostrando uma situação distinta da que encontrou em 2007, na primeira viagem. Desta vez, o repúdio às tropas da ONU é evidente, e pode ser visto nas pichações nos muros.

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    2º dia : 'A classe operária começa a se mover'

    Eduardo conversa com operários da capital, Porto Princípe, sobre os protestos de rua em defesa do aumento do salário mínimo, em agosto. Apesar da forte repressão e das demissões que se seguiram, percebe o orgulho no rosto de cada um.

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    3º dia : 'Bill Clinton, George Soros e o Haiti'

    Eduardo conta sobre o trabalho nas maquiladoras e os interesses norte-americanos no país. Por trás da visita de Clinton e das declarações dos Estados Unidos, o plano para aproveitar ainda mais a mão de obra miserável, para produzir as calças jeans famosas para os EUA.

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    4º dia
     'Nas ruas de Le Cap'

    Eduardo visita a segunda cidade do Haiti. Em uma região agrícola, apenas com a luz das estrelas, ele recorda a história do país, que foi palco da primeira revolução negra das Américas.  E lembra do Rio de Janeiro, sua cidade natal, onde o povo negro está sendo morto nas favelas.

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    5º dia
    'Sobre misérias e misérias'

    Com 70% de taxa de desemprego, o Haiti tem um salário até quatro vezes menor do que o do Brasil, na indústria textil, e quase nenhum direito trabalhista. Eduardo escreve sobre a "experiência" que o imperialismo está fazendo no país, com apoio brasileiro, e a comparação que poderá ser feita pelos patrões. As ameaças de levar a produçaõ para a China, hoje tão comuns nos EUA, serão modificadas - lá e aqui - pelo país caribenho.

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    6º dia
    'As laranjas amargas do Contreau'

    Eduardo Almeida conversa com um grupo de 50 trabalhadores camponeses. Por seis meses, trabalham para a multinacional que produz o licor Contreau e, nos outros meses, cultivam a terra como camponeses, tendo de, como servos, dar parte de sua produção. Ele escuta sobre as lutas que fizeram, as denúncias de prisões. Em uma mística, os trabalhadores tomam consciência de sua força e compartilham uma lição simples, mas a mais importante de todas.

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    Acompanhe as próximas cartas do Haiti,  no portal do PSTU www.pstu.org.br, clique aqui

    sábado, 20 de junho de 2009

    CRIMES MILITARES: Delegação haitiana denuncia ocupação no senado brasileiro

    Amigos e amigas,

    Abaixo matéria que denúncia o criminoso papel que o Brasil vem cumprindo no Haiti . Aos colegas advogados, chamo atenção ao apoio do advogado trabalhista e militante do PSTU, Aderson Bussinger, dado à delegação hatiana.

    Adriano Espíndola
    =-=-=-=-=-

    Delegação haitiana denuncia ocupação no Senado

    Muitas críticas à presença de militares brasileiros no Haiti. Esse foi o tom dos três representantes de movimentos sociais em Audiência Pública no Senado brasileiro, nesta quarta-feira, 17.06.2009. A audiência foi promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).


    O haitiano Didier Dominique, representante do movimento Batay Ouvryie, afirmou que a presença de tropas da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) em seu país é parte de um projeto imperialista, cujo objetivo é aproveitar a mão-de-obra barata para indústrias que se instalam em novas zonas francas.“Este é um projeto imperialista, do qual participa o vice-presidente brasileiro José Alencar, dono de empresas têxteis, que enviou seu filho para conhecer as zonas francas do Haiti”, disse o haitiano à Agência do Senado.


    Frantz Dupuche, membro da Plataforma Haitiana em Defesa de um Desenvolvimento Alternativo, também foi contundente ao informar os senadores sobre as consequências da ocupação. “Vimos informar os senadores brasileiros que o desempenho da Minustah é um fracasso por não cumprir sua meta de estabilizar o país. Trouxemos fotos de zonas com hospitais e escolas que foram bombardeadas com gás [lacrimogêneo] pelos soldados da ONU” (Folha Online, 17/6/2009).


    Participaram, também, da audiência o advogado Aderson Bussinger, integrante da Comissão de Direitos Humanos da seção do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que esteve no Haiti em 2007, Sandra Quintela, coordenadora da Rede Jubileu Sul, e Antonio Lisboa Leitão de Sousa, representante da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) que esteve no Haiti em maio.


    Aderson disse que as tropas da ONU estão ajudando a polícia haitiana a reprimir o movimento sindical. Um exemplo citado por Sandra Quintela foi a mobilização por reajuste de salários realizado no início de junho que foi duramente reprimida pela polícia e por soldados da Minustah. Um estudante foi baleado na cabeça, durante manifestações na capital do país.


    Outro exemplo foi a repressão ao ato realizado por trabalhadores no 1° de maio, lembrado por Antonio Lisboa que estava no Haiti nesta data como integrante de uma caravana da Conlutas. “O Brasil deveria se retirar imediatamente do Haiti, onde existe uma situação de típica ocupação , declarou Aderson Bussinger.


    No final da audiência, o senador José Nery (PSOL-PA) propôs que uma comitiva de senadores visite em breve o país caribenho para se interar das denúncias realizadas pela delegação haitiana.


    Os representantes haitianos continuarão sua visita pelo Brasil até o dia 25


    Além da visita ao senado, a delegação haitiana participou de diversas atividades no Brasil nos últimos dias. Didier Dominique, sindicalista haitiano, no dia 19, sexta, participou de panfletagens na porta da Mannesmann e visitou duas ocupações realizadas por movimentos de luta pela moradia em Minas Gerais. A comissão haitiana também participou de audiência com a presidência da Câmara de Vereadores de Belo Horizonte e de um encontro com a comissão de direitos humanos da Assembleia Legislativa de Minas. Dominique,participou, ainda, de uma palestra com a Conlutas, movimentos sociais e Sindicato dos Servidores Municipais de Belo Horizonte. Em São Paulo, houve um debate com Carole Pierre Paul-Jacob no dia 19, à noite, na PUC-SP.

    quinta-feira, 18 de junho de 2009

    PALESTRA / ATO EM BH EM SOLIDARIEDADE AO POVO HAITIANO - 19.06.09 às 17h30min

    Fórum Mineiro em Solidariedade ao Povo Haitiano

    Pela retirada das tropas de ocupação da Minustah!

    Convida:

    A ocupação promovida pela ONU, através de tropas chefiadas por brasileiros, aprofunda ainda mais a situação de miséria e a falta de soberania do povo haitiano. Uma campanha internacional está sendo lançada para retirada imediata das tropas do Haiti. Como parte desta campanha está no Brasil, Didier Dominique, membro da Central Sindical e Popular Batay Ouvriye.

    Didier está em Belo Horizonte para divulgar essa campanha e expor a situação de seu país. O Forum está promovendo uma palestra sobre a situação no Haiti com a presença dele, nesta sexta-feira, 19/6, a partir das 17:30. Compareça e ajude na luta do povo haitiano.

    Local: Sindibel

    Av. Afonso Pena, 726 8º andar centro, BH-MG