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Sejam bem vindos. O objetivo deste Blog é informar as pessoas sobre os mais variados assuntos, os quais não se vê com frequência nas mídias convencionais, em especial acerca dos direitos e luta da juventude e dos trabalhadores, inclusive, mas não só, desde o ponto de vista jurídico, já que sou advogado.

domingo, 12 de agosto de 2012

Para refletir, um texto sobre homofobia:

O direito de amar

Não faz muito tempo, tocar violão era tido como coisa de vagabundo, malandro, irresponsável. Atrizes eram tidas como prostitutas.

As mulheres viviam sob o julgo masculino. Tidas como menos inteligentes, nem mesmo podiam votar. Casamentos eram arranjados e o sexo, vejam só, era somente para procriação.

Houve uma época em que negros eram vistos como coisas; animais a serem domesticados; seres sem alma, cuja única finalidade para existir era servir os brancos.

Século XXI. Ainda hoje homossexuais são vistos por muitos como anormais, libertinos, pecadores. Em nome da literalidade de um livro escrito há mais de dois milênios, julga-se e condena-se a pessoa que ama outro do mesmo sexo.

Amar. É por este direito que lutam milhões de pessoas. É contra este direito que batalham tantas outras.
Na atualidade, se eu depreciar alguém por causa da cor da pele, posso ser preso por racismo. Chamar o outro de “negrinho fedido”, “macaco queimado” é crime, definido em lei como imprescritível e inafiançável.

Contudo, se eu chamo um gay de “pecador nojento”, “promíscuo sujo”, “viadinho”, “mulherzinha”, em vez de ser punido, posso ser coroado por defender os bons costumes e a moralidade. Crimes de ódio contra homossexuais não são punidos como tal, uma vez que não há respaldo legal para tanto. Fanáticos religiosos, a maioria formada  por evangélicos, não aceitam a ideia de não poderem exclamar, incitar, propagar o ódio aos quatro cantos.

A lei que pretende tornar crime a violência homofóbica, tipificando-a como aconteceu com o racismo, encontra resistência de parlamentares fundamentalistas, que não aceitam a ideia, puramente humana e generosa, de que se deve aceitar e respeitar o próximo do jeito que ele é. Acham os conservadores que a liberdade de expressão é um valor absoluto, capaz de absolvê-los das barbaridades ditas em suas congregações. Usam como escudo a liberdade religiosa, a quem chamam de sagrada e inquestionável. Ignoram o fato de que a pregação feita por líderes religiosos contra gays reforça o preconceito e abençoa a prática discriminatória. Fecham os olhos para a realidade de milhares de homossexuais, que são violentados todos os dias somente por serem homossexuais. Negam-se a perceber que muitas vidas são ceifadas por conta do discurso anti-gay.

Que liberdade é essa que dá legitimidade a atos covardes, cruéis, desumanos, contra quem, sabe-se lá porque, ama o igual? Que liberdade é essa que dá razão para o agressor e que faz da vítima o culpado?

Lembro-me do dia em que um colega confessou algo que me marcou profundamente. Ele disse que tinha relevado ao seu “melhor” amigo que era homossexual. Sua esperança era de encontrar alguém com quem pudesse contar num momento difícil de descobertas. A resposta não poderia ser pior. O “melhor” amigo disse: “nunca mais chegue perto de mim, ou eu prometo que vou te queimar vivo”. Na hora que ele me contou, fiquei sem palavras, e me perguntei em silêncio: “até quando?”.

É o que pergunto agora a você, querido leitor: até quando usarão o nome de deus para justificar a própria hipocrisia? Até quando o amor será motivo de deboche, de chacota? Finalmente, até quando amar será pecado?

por Daniel Lélis
//Publicado originalmente na revista Jfashion Chic E Essencial.

2 comentários:

LILIA disse...

Até quando a hipócrita Sociedade deixar de ser mais hipócrita ainda.

Querem dizer que na hora de pagar os impostos somos todos iguais,homossexuais ou não,mas na hora dos mesmos escolherem como querem e com quem querem viver a própria vida, aí é proibido? É crime quando se tem um direito de liberdade de escolha garantido pela Carta Magna?

Em que lugar está escrito que o amor é só entre heterossexuais?

Cada um tem o direito de ser feliz como bem entender e ninguém tem nada com isso. Tem coisa muito pior do que amar pessoas do mesmo sexo. O amor, o sentimento é assexo, não tem cor, pode acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar e da forma mais inusitada que for possível.
Essa parte da sociedade que discrimina o homossexualismo é que é doente, por não ter uma visão mais aberta do mundo, não ter tolerância, não tem compreensão e muito menos amor no coração. Porque quem tem amor dentro de si, não repudia, compreende ou procura compreender antes de destilar veneno gratuito.
Essa parte "estragada" da sociedade tem ódio, porque se vê no próprio espelho, mas não tem coragem de se assumir como tais, porque sõ covardes.

Já os homossexuais assumidos é que são brasileiros de verdade, porque não se escondem atras de uma máscara de "homem macho", dão a cara á tapa, ms são homens de verdade para assumir o que são e não um bando de hipócritas travestidos de "homens de bens".

Olho Turco disse...

É muito triste sofrer homofobia, levar nomes pejorativos e ouvir piadinhas sem graça, mais oque podemos fazer apenas denuncia esses agressores, e a justiça tem que fazer sua parte e nos proteger.

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