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sábado, 24 de setembro de 2011

Sobre o reconhecimento do “Estado palestino”

Pela derrota de EUA e Israel na ONU!

por RONALD LEÓN, DA LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional)

 

A luta histórica do povo palestino contra o Estado nazista-sionista de Israel, que é parte central da luta de todos os povos do mundo contra a dominação imperialista de conjunto, novamente se encontra no centro da polêmica mundial.

O atual líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, apresentou no dia 23 de setembro, diante o Conselho de Segurança da ONU uma demanda para o reconhecimento oficial da Palestina como Estado independente, com plenos e idênticos direitos de todas as demais nações. Este status lhe permitiria, por exemplo, denunciar perante a justiça internacional a ocupação de seus territórios por forças sionistas. Na atualidade a Palestina tem, dentro da ONU, um status que não é de Estado, mas sim de entidade “observadora permanente”.

Essa proposta defendida pelas autoridades palestinas encontra grande simpatia e expectativa não só no mundo árabe, mas também no conjunto da esquerda e do ativismo mundial. No entanto, é preciso colocar com clareza que essa proposta, além de ser escandalosamente limitada, abandona as reivindicações históricas do povo palestino. A proposta de Abbas à ONU propõe conformar um “mini-Estado” palestino cujas fronteiras serão anteriores a de 1967, e com um território compreendido por Gaza, Cisjordânia e a parte de Jerusalém, como capital. Ou seja, é, de fato, uma capitulação a Israel, pois legitima o roubo dos territórios palestinos que usurparam os sionistas em 1948. Segundo publicações da rede de TV Al Jazeera, o presidente Abbas aceitou condições como a permanência dos colonos israelenses que ocupam Cisjordânia, e que esse novo Estado palestino não possua Forças Armadas próprias. Aceitou que até uma força militar da OTAN (Aliança Militar do Atlântico Norte) seja colocada no seu território.

Outro elemento importante, é que Abbas só faz essa proposta neste momento devido à impressionante pressão do processo revolucionário que sacode ao mundo árabe, historicamente simpatizante da causa palestina. Basta ver a recente manifestação contra a embaixada de Israel no Egito.

No entanto, apesar de todas as limitações que tem a reivindicação de Abbas, o imperialismo norte-americano e obviamente Israel se opõem categoricamente à proposta. Barak Obama já anunciou que os EUA recusarão a ideia de um Estado independente palestino e que, se for necessário, farão valer seu direito ao veto. O presidente norte-americano declarou ainda, de forma enganosa, que a "paz não chegará mediante declarações e resoluções na ONU (…). Em último caso, são os israelenses e os palestinos, e não nós, os que devem chegar a um acordo sobre as questões que lhes dividem: as fronteiras e a segurança, os refugiados e Jerusalém”.

Com sua acostumada hipocrisia, acrescentou, ao mesmo tempo, que ambos os setores têm “aspirações legítimas". No mesmo sentido, o próprio Abbas declarou e chamou Israel a que reconheça um Estado palestino e não a "perder a oportunidade para a paz".

Nós, da LIT-QI, não mudamos absolutamente em nada nossa posição histórica, que parte da necessidade da destruição do Estado nazista-sionista de Israel como condição indispensável para que exista paz na região. Reivindicamos uma Palestina livre, laica, democrática e não racista. Nunca haverá paz enquanto exista o Estado genocida de Israel, na medida em este é um enclave, um estado Policial dos interesses imperialistas na região. Também não mudamos nossa caracterização sobre a direção política palestina atual: a ANP é uma direção absolutamente entreguista e que trai as bandeiras históricas de seu povo.

Por tudo isso não pode existir e nem conviver “pacificamente” dois Estados. Israel nasceu como um instrumento da contrarrevolução no Oriente Médio. Foi concebido e sustentado pelas potências imperialistas e Stalin. Nós não confiamos de forma alguma na ONU. Sabemos que as decisões votadas nesse espaço nunca poderão servir como solução de fundo para a questão palestina. Tanto é aasim, que a ONU (que hoje pretende atuar como juiz supremo para conceder ou não o direito dos palestinos a ter um Estado) foi a que dividiu Palestina em novembro de 1947, lhe roubando o 54% de seu território em favor de Israel. Nessa época, foram expulsos de suas terras ancestrais mais de 700 mil palestinos, suportando uma série de ofensivas assassinas, no qual o novo Estado nazista-sionista arrasava e massacrava populações inteiras em seu afã de se consolidar. Desde então, o povo palestino vive confinado em campos de refugiados em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria e em outras dezenas de outros países.

Estamos pelo voto favorável ao novo Estado palestino
Nós da LIT-QI estamos pela derrota da posição dos EUA e de Israel nesta votação que se realizará na ONU. Nossa posição parte de um momento em que ocorrerá uma votação sobre uma questão muito concreta (o reconhecimento ou não o novo Estado palestino). O imperialismo está negando a Palestina os direitos básicos que têm outras nações. O direito a um Estado independente palestino pode está gerando uma série de mobilizações na Palestina e em outros pontos do mundo árabe. Por isso, nos posicionamos pelo direito democrático e pela derrota do imperialismo ianque e de Israel nessa votação. Isto não significa, porém, que concordemos com a proposta de Abbas. No entanto, é claro que uma derrota do imperialismo e do sionismo nessa votação, fortaleceria o processo revolucionário árabe e enfraqueceria Israel, muito questionado na região.

Israel, em razão dos golpes da revolução árabe, encontra-se a cada vez mais isolado. Recebeu golpes no Egito, que se expressou no episódio da embaixada israelense; outro com o afastamento da Turquia, que antes era um de seus principais aliados na área; e outro na Jordânia. Esses golpes colocaram Israel em uma situação complexa. A tarefa é, por meio das mobilizações a nível internacional e nacional, isolar o Estado sionista cada vez mais. Sabemos que a solução real e a satisfação às reivindicações palestinas não passam pelas negociações, nem ao menos pela ONU. No entanto, podemos aproveitar o fato de que se esteja discutindo a questão para gerar ou potencializar processos de mobilização, além de redobrar esforços na campanha contra Israel.

É nesse marco que devemos seguir impulsionando a campanha mundial de boicote e pelas sanções contra Israel à qual se somaram inúmeras organizações palestinas e não palestinas, desde 2005. Apesar de seus limites, ao não propor a destruição do Estado de Israel, a campanha coloca objetivos muito progressivos, como o direito de retorno para todos os refugiados palestinos e o fim de todas as agressões israelenses e do bloqueio a Gaza. Ademais, é imperioso exigir em todos os países a ruptura de relações diplomáticas e comerciais com os sionistas.

Não obstante, insistimos e seguimos sustentando que a única maneira de defender realmente os direitos do povo palestino é lutar pela bandeira original da antiga OLP (Organização para a Libertação da Palestina): a luta pela destruição do Estado de Israel e a construção de um Estado Palestino laico, democrático e não racista, em todo o território de Palestina.

Fonte: site do PSTU, clique aqui e visite

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