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sábado, 24 de agosto de 2013

Quando o preconceito se impõe sobre a tolerância.

Sheik: o beijo virou pó

Fabio Chiorino

O que é pior: um dos maiores jogadores do seu time chegar bêbado para o treino, ou publicar uma foto dando um beijo no amigo? Na mentalidade da torcida organizada, certamente a segunda opção. Porque a primeira só será questionada quando surgirem as primeiras derrotas. Já o “selo” mexe com a dignidade do torcedor, mancha o clube, provoca as piores pilhérias dos adversários. É uma questão de honra. Corrijo: é uma questão de imbecilidade.

A Gaviões da Fiel acaba de emitir uma nota com a sua versão do pedido de desculpas do jogador Emerson. “Não poderia ter feito isso, foi sem intenção, mas jogo em um clube de futebol, em um mundo cheio de rivalidades e provocações, qualquer comentário é motivo de chacota. Lamento se ofendi a torcida do Corinthians, não foi a minha intenção. Foi só uma brincadeira com um grande amigo meu, até porque eu não sou são-paulino”.

Emerson não confirmou a alusão à torcida rival, mas oficialmente pediu desculpas a quem se sentiu ofendido com o gesto. É bem provável que Sheik tenha dito exatamente o que revela a carta da torcida organizada. Simplesmente porque se sentiu ameaçado diante daqueles cidadãos que recebem autorização do clube para intimidar o desafeto da vez. Há razões também para acreditar que o pedido de desculpas, mesmo que nada sincero, seja uma maneira de amenizar uma situação com potencial para sair do controle.

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Surgem então algumas perguntas. Se Emerson levantou a bandeira contra a homofobia no futebol, o que representa essa retratação forçada? O jogador ainda entrará em campo na próxima rodada com a chuteira estilizada em prol da tolerância? E no meio desse desfecho já constrangedor, qual a responsabilidade do Corinthians nessa história? O clube, de forma covarde, simplesmente abriu as portas do seu centro de treinamento e legitimou a ação de um bando que cobra respostas, como se a integridade do time estivesse em jogo.

Não houve vencedores nesse episódio. Seja uma ação de marketing ou uma brincadeira entre amigos, Emerson se expôs e levantou uma discussão que cabe não apenas ao futebol, mas à sociedade como um todo. Menos de uma semana depois, se viu obrigado a publicar uma nova foto, quase um cartão de Natal antecipado. Perdeu-se a legitimidade do gesto. Perdeu-se a oportunidade de evolução. Estamos perdidos.

Foi-se o beijo, vingou o ódio.

Crédito da imagem: reprodução Instagram

Fonte: http://esportefino.cartacapital.com.br/sheik-o-beijo-virou-po/

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