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Sejam bem vindos. O objetivo deste Blog é informar as pessoas sobre os mais variados assuntos, os quais não se vê com frequência nas mídias convencionais, em especial acerca dos direitos e luta da juventude e dos trabalhadores, inclusive, mas não só, desde o ponto de vista jurídico, já que sou advogado.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

UM INVERNO QUENTE EM UBERABA: Com mobilizações e greves juventude e trabalhadores arrancam vitórias!


Num período menor do que trinta dias, Uberaba - uma cidade média do interior de Minas Gerais, com cerca de 300 mil habitantes - vem sendo sacudida por manifestações sociais que, por sua envergadura e conquistas, adquiriram um caráter histórico. Refiro-me as marchas, greve e manifestações realizadas em nossas ruas exigindo redução da passagem de ônibus, transporte público de qualidade, contra a corrupção e direitos sociais, cujo a maior delas, reuniu cerca de 15 mil pessoas!


Pressionada por estas manifestações, a Prefeitura Municipal, para além das já aplicadas em face da campanha do governo federal, comprou mais 30 mil doses de vacina contra a gripe suína; houve redução, ainda que pífia, no importe de R$0,10 (dez centavos), nas passagens de ônibus e;  foi realizada, por iniciativa da Prefeitura Municipal, uma audiência pública na qual, não apenas o Prefeito, mas todo o estafe relacionado ao transporte público, inclusive, um representante de uma associação de usuários de transporte coletivo desacreditada, tiveram que ouvir a irresignação popular, traduzida não apenas em constantes vaias, mas em intervenções (falas dos populares) extremamente críticas à ineficiência do transporte coletivo e ao modelo de exploração do transporte público por meio de concessão à particulares,  que só serve para enriquecer os gananciosos empresários do setor.

É sob o símbolo destas manifestações que tem surgido uma nova e combativa vanguarda em Uberaba, que tem contribuído pelo sucesso até agora alcançado pelo movimento - pois, ainda que as manifestações, refletindo uma realidade nacional, tenham refluído, com a diminuição gradual de participantes de acordo com o que elas vinham sendo realizadas - essa vanguarda já realizou três eventos de formação, além de ter avançado para uma nova fase de articulações. Nessa nova fase, o movimento está indo para a periferia de Uberaba e para as portas das fábricas, buscando formar comitês populares, cujo a primeira tarefa é popularizar um abaixo-assinado, que já está nas ruas desde o último dia 11 de julho, pela concessão do passe livre para estudantes, idosos e desempregados, pela redução pra valer na passagem dos ônibus, e pela criação de uma Empresa Municipal de Transporte Coletivo, controlada pelos trabalhadores e usuários, pois há uma consciência crescente na cidade de que transporte coletivo não rima com lucro e, que, portanto, não pode ficar nas mãos de empresas privadas inescrupulosas.

Assim, ao contrário do que pensa muitos, o movimento não acabou. Está se reorganizando para conquistar efetivamente os direitos reivindicados pelo povo nas ruas.

Por um outro lado, vale destacar que a participação de militantes da esquerda não governista, ou seja, da esquerda que não se vendeu e não está nem no governo do Sr. Paulo Piau e nem da Sra. Dilma, tem despertado o justo ódio dos setores mais reacionários da direita tradicional e da nova direita de Uberaba. Ataques a militantes do PSTU, PCB, Consulta Popular e do PSOL, tem sido uma constante, ainda que eles participem do movimento representando entidades das quais são parte e, na maioria das vezes, sequer com suas bandeiras içadas (houve ameaças de agressões físicas e morte aos militantes destas organizações). É que os reacionários sabem que a presença da militância da esquerda autêntica (esquerda que não membro do PT e nem do PCdoB) não permite que o movimento seja apropriado e manipulado por aproveitadores e, ainda, que alternativas como a do abaixo-assinado, propostas por estes militantes, permitem que o movimento mantenha-se vivo, forte e atuante, numa crescente magnifica.

Não posso finalizar este texto, sem registrar que o espírito de ousadia das ruas começa tomar conta das fábricas de Uberaba. No último dia 10, operários da multinacional Black & Decker - aqui instalada há mais de 15 anos, atraída por incentivos fiscais e por promessa de um “sindicalismo cidadão”- passaram por cima da direção inoperante de seu sindicato e realizaram uma heroica greve de três dias, a qual foi suspensa apenas com o atendimento de mais de 90% das reivindicações dos grevistas, ainda que o sindicato, e a federação pelega da qual ele faz parte, se “infiltrou” na greve, para atuar como verdadeiro bombeiro, apagando os incêndios da luta de classe. Pelegos, os dirigentes do sindicato dos metalúrgicos de Uberaba cumpriram, ou se esforçaram para tanto, seu lamentável papel, ainda que tenham saído do processo mais desacreditados do que nunca, abrindo o caminho para o surgimento de uma nova direção que se paute pela luta dos trabalhadores. Sobre essa greve escreverei outro texto, com maiores detalhes.
Foto: Jornal da Manhã


Encerro, orgulhoso de não ser apenas um comentarista do processo, mas um sujeito ativo do mesmo, enquanto militante revolucionário e ativista do movimento social. Militante do PSTU, sou advogado da CSP- Conlutas local e Presidente da Comissão de Movimentos Sociais da OAB local. Não poderia me abster.

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