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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

FAVELAS EM CHAMAS SÃO AÇÕES CRIMINOSAS A SERVIÇO DA ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA

Aumenta o número de incêndios nas favelas de São Paulo e centenas de famílias ficam desabrigadas, deixando o terreno “livre” para a especulação imobiliária.

Por Ana Luiza, candidata do PSTU a prefeita de São Paulo

Mais um incêndio destruiu centenas de barracos em uma das favelas de São Paulo. Este que foi o quinto incêndio em favelas da capital paulista em menos de três semanas, ocorreu no Morro do Piolho, zona sul, e deixou 285, dos quase 600 barracos, destruídos pelo fogo e mais de 1.140 pessoas desabrigadas, segundo informações da Defesa Civil. Desde o início deste ano, já foram registrados 32 casos semelhantes. No ano passado, foram 79 incêndios em favelas. O Corpo de Bombeiros ainda computa 91 incêndios em 2010; 122 em 2009; 130 em 2008.

Apesar das centenas de famílias desabrigadas, dos feridos e até mesmo de mortes em razão dos incêndios, a esmagadora maioria destas ocorrências não são esclarecidas e as causas do fogo não são determinadas pela polícia. No entanto, os incêndios só aumentam e os trabalhadores seguem sedo expulsos de suas casas.

Seria uma trágica coincidência? Seriam todos os incêndios coincidências, acidentes que repetidamente atingem os barracos de famílias pobres, obrigando-as a deixar as suas casas? Moradores, líderes comunitários e diversos movimentos sociais acreditam que não. Os incêndios teriam origem criminosa e os objetivos são, de fato, expulsar os pobres, destruir as favelas e “limpar” o terreno para a especulação imobiliária. A freqüência dos incêndios só reforça a ideia de que há algo errado nestas tragédias.

A possibilidade da ação criminosa é tão evidente que até mesmo uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Incêndios em Favelas teve que ser criada para investigar os incêndios. No entanto, após 6 meses de criada, nada foi investigado, ninguém foi convocado a testemunhar e nenhum morador foi ouvido.

A hipótese da ação criminosa é a mais provável. Em tempos de Pinheirinho, Quilombo Rio dos Macacos e preparativos para a Copa do Mundo, remoção forçada virou política de governo para higienizar as cidades e abrir caminho para o mercado imobiliário. E pra isso vale tudo: violência policial, intimidação, medo e fogo.

favela

Especulação imobiliária, empreiteiras e os governos

Assim como a grande maioria das cidades brasileiras, São Paulo vive um aquecimento do setor da construção civil. Essa realidade, ao invés de significar mais moradia para os trabalhadores, tem refletido na expulsão de milhares de famílias das suas casas em nome da especulação imobiliária. Os terrenos onde os barracos foram erguidos estão super valorizados, despertando a cobiça das grandes construtoras. Com a realização dos grandes eventos no Brasil, como a COPA e as Olimpíadas, a política de remoção e despejo de milhões de famílias pobres tem se intensificado ainda mais.

Para piorar a situação, os principais candidatos à prefeitura da cidade são financiados pelas empreiteiras. Só o comitê de Fernando Haddad (PT), por exemplo, recebeu nada menos que R$ 750 mil da construtora OAS, que já despejou ao todo mais de R$ 5 milhões nessa campanha eleitoral em todo o país. Caso eles vençam as eleições, nada vai mudar, pois governarão seguindo os interesses do mercado imobiliário, e não da população que necessita de moradia.

Para acabar com o déficit de moradia na cidade de São Paulo, defendemos a regularização e urbanização das favelas, aliado a um grande plano de obras e moradias, assim como uma ampla reforma urbana, que desaproprie as grandes propriedades e terrenos que servem à especulação. Ou seja, para atacar o problema da moradia, é preciso ir contra os lucros e interesses das grandes construtoras.

Enquanto os candidatos das empreiteiras continuarem no poder, a população pobre continuará a sofrer com o flagelo da falta de moradia e das moradias precárias, e a ter sua vida em risco com os incêndios criminosos que se alastram com a conivência dos poderosos.

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