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domingo, 23 de outubro de 2011

LÍBIA: Vitória ou derrota das massas?

 

Escrito por Ronald León

Sex, 21 de Outubro de 2011 00:20

Polêmica com a Fração Trotskista (PTS) publicada na Revista Correio Internacional (Nova Época) n. 6

A forma como o regime de Kadafi caiu foi muito contraditória. Deu-se mediante a combinação entre um levante popular armado e uma intervenção militar do imperialismo. Esta situação complexa é fonte de confusão e de importantes polêmicas dentro da esquerda mundial.

O principal debate é sobre quem ganhou e quem perdeu na Líbia. É óbvio que Kadafi perdeu. A partir daí, surgem as questões: sua queda foi uma vitória das massas ou do imperialismo? O que aconteceu é progressivo ou regressivo para o avanço da revolução mundial, na Líbia e no mundo árabe? Das respostas que dermos depende a política que nós, revolucionários, devemos defender para aprofundar o inegável processo revolucionário que está aberto naquela região, um dos atuais centros da revolução mundial.

A grandiloquência não é suficiente

Da ampla gama de posições, uma se destaca por sua aparente “originalidade”. Falamos da assim chamada Fração Trotskista (FT), encabeçada pelo PTS argentino. Esta corrente gosta muito das expressões grandiloquentes para encarar uma polêmica. Para eles, nossa posição de que a queda de Kadafi representa uma tremenda vitória política e militar das massas líbias e um triunfo democrático que fortalece e impulsiona todo o processo revolucionário árabe cai em descrições “escandalosas” e tira conclusões “cada vez mais distantes de uma estratégia revolucionária” que pecam pela “ausência de qualquer perspectiva estratégica de classe”.

É provável que eles acreditem que com mera verborragia seja possível “ganhar” uma discussão. Mas a questão não é tão fácil. O marxismo ensina que, para caracterizar uma determinada situação e definir uma política revolucionária, é preciso, antes de tudo, uma análise rigorosa dos fatos.

Para começar… uma calúnia

A FT-PTS diz que, para a LIT-QI, é “progressiva a unidade de ação entre as massas e o imperialismo1. Façamos um alerta sobre o método calunioso que os companheiros utilizam: nós nunca afirmamos isso. Desde o início do conflito, opusemo-nos categoricamente à intervenção do imperialismo-OTAN-ONU na Líbia. Nossa posição foi e continua sendo categórica: Não à OTAN, Fora Kadafi!

Em política, uma unidade de ação é um acordo. Defendê-lo ou concretizá-lo implica em um chamado e até mesmo exigências no âmbito desta unidade. Nós, da LIT-QI, nunca chamamos o imperialismo a fazer unidade de ação com as massas para derrubar Kadafi. Outra coisa é que, na realidade, essa unidade tenha se concretizado no terreno militar.

Não podemos negar este fato, que independe de nossa vontade. Os marxistas, para fazer política, devem ver o que acontece na realidade, e não o que queremos que ocorra. O importante é entender por que o imperialismo se colocou no mesmo campo militar dos rebeldes. Para isso, é necessário ir aos fatos.

A forma como o imperialismo interveio

Para entender os motivos e a forma da intervenção imperialista, devemos entender primeiro o caráter da própria revolução. Na Líbia, estamos presenciando uma revolução contra o imperialismo, uma revolução armada e popular que toca diretamente em seus interesses políticos e econômicos. É anti-imperialista, assim como no Egito e na Tunísia, porque as massas questionaram e derrubaram Muammar Kadafi, um dos principais agentes do imperialismo na Líbia e na região. Este ditador, pelo menos há uma década, abandonou qualquer tipo de ação ou pose nacionalista ou anti-imperialista (que o caracterizaram no período de 1970-1990) e se transformou em um fiel servo de Washington e das potências europeias.

Se existia alguma dúvida, com a descoberta de documentos que provam a estreita colaboração secreta entre seu regime e as potências imperialistas aquela fábula de “anti-imperialismo” definitivamente caiu por terra. Os documentos provam que, além da entrega do petróleo e da soberania, existia uma sinistra divisão de tarefas entre a ditadura líbia e os organismos de inteligência do imperialismo (a CIA e o MI6 britânico) na “luta contra o terror” de Bush e na detenção de opositores ao poder em Trípoli (ver quadro). Defender que Kadafi era “anti-imperialista” se torna, então, absurdo. Por que o imperialismo colaboraria de tal forma com um suposto “inimigo” de seus interesses? A verdade é que Kadafi era o “seu homem” na Líbia e seu regime fazia parte do sistema de ditaduras ferozes que atuavam como apoio a seus planos no Oriente Médio e no Norte da África, sendo tão agente do imperialismo quanto Mubarak e Ben Ali. Por isso, sua queda é uma vitória tremenda contra o imperialismo.

Surge então uma pergunta: se Kadafi era o “seu homem”, por que o imperialismo interveio militarmente no campo rebelde para derrotá-lo? A resposta é simples: por causa da revolução na Líbia e no mundo árabe, por causa do levantamento armado e do aprofundamento da guerra civil, elemento chave na análise da situação política na Líbia. O imperialismo, em um primeiro momento, defendeu Kadafi, e depois o pressionou para negociar uma saída, o que ele rejeitou sistematicamente. Por isso, o imperialismo se viu obrigado a intervir contra seu próprio agente, porque este se mostrava absolutamente incapaz na tarefa de conter e derrotar o processo revolucionário. Interveio não porque Kadafi era “anti-imperialista”, mas porque, como seu agente, já não servia mais para barrar o levante.

O imperialismo é pragmático. Seu interesse sempre foi derrotar a revolução - evitando que o magnífico exemplo líbio se estenda e derrame mais gasolina na fogueira árabe - e restabelecer o controle e o fluxo normal de petróleo que, com a guerra civil, estava parado. Nesse sentido, manter ou não seus agentes é algo tático. Eles são “fusíveis”: se não servem, são trocados.

Outro elemento foi a enorme contradição do imperialismo de não poder enviar tropas terrestres próprias. Devido à crise econômica e política em seu interior e o barril de pólvora do mundo árabe, o imperialismo não pode entrar agora em outra guerra. Por isso, viu-se obrigado a se colocar no campo militar rebelde. Se virmos somente a intervenção imperialista, desconsideraríamos a outra guerra, a guerra civil que o povo empreendeu contra Kadafi, prévia à entrada da OTAN em cena. O elemento qualitativo de todo o processo é a revolução popular em curso no país e no mundo árabe.

Então, houve a unidade de ação militar. Ninguém disse que isso é progressivo. Pelo contrário: é uma contradição enorme que gera muita confusão nas fileiras da esquerda e que deixou o imperialismo melhor posicionado para levar adiante a tarefa de desmontar a revolução líbia. O que é absolutamente equivocado por parte da FT-PTS é negar, por causa da intervenção imperialista, todo o processo revolucionário líbio e a enorme e histórica conquista das massas ao derrubar o regime sanguinário de Kadafi e, com isso, dar um golpe duro no imperialismo. 

Tropas terrestres da OTAN?

A conclusão da FT-PTS sobre a derrubada de Kadafi é contundente: “(...) a essência política por trás da aparência dos ‘rebeldes’ comemorando com armas nas mãos a queda do regime de Kadafi é que, nas condições em que ocorreu, representa não uma primeira conquista do processo revolucionário, mas um triunfo da política imperialista sobre o avanço da ‘primavera árabe’”.2

Como se tudo tivesse sido parte de um plano magistral do imperialismo, o que aconteceu foi “um triunfo da política das potências imperialistas (…) que (…) levaram adiante uma intervenção militar para garantir que surja um governo ainda mais pró-imperialista que o de Kadafi (…)”.3

Coerentes com essa caracterização, fazem uma grave acusação ao povo armado: “Ainda que as imagens de televisão mostrem milícias locais ao invés de soldados norte-americanos adentrando o complexo de Bab al Aziziya e derrubando as estátuas de Kadafi, as forças ‘rebeldes’ que tomaram Trípoli atuaram como ‘tropa terrestre’ dos bombardeios da OTAN, com uma direção completamente colaboracionista com as grandes potências (…)4.

Será verdade que foi tudo obra do imperialismo e do CNT e aquele povo armado que tomou Trípoli e invadiu o palácio de Kadafi estava composto por simples marionetes que serviam de “tropas terrestres” da OTAN? Nada disso. O problema é que, para a FT-PTS, a ação das massas não importa, subestima-as completamente e até as despreza. Para esses analistas, não conta que as massas tenham se armado, enfrentado, dividido e destruído as Forças Armadas burguesas, que tenham matado e morrido aos milhares para derrotar uma cruel tirania. O desprezo em relação ao sacrifício do povo líbio é eloquente e ofensivo: para essa organização, isso não vale nada. O elemento determinante, o único que abstraem da realidade com valor absoluto, é a intervenção do imperialismo e o caráter entreguista do “novo governo” líbio. Isto é suficiente para decretar a derrota e a morte do processo revolucionário.

Para eles, desde o momento em que o imperialismo interveio, o processo passou automaticamente de “progressivo” a “regressivo”. As massas que arriscaram suas vidas agora se transformaram, magicamente, em “tropas terrestres” do imperialismo. A acusação é gravíssima: supõe que todo esse povo mobilizado é agora parte orgânica e está conscientemente disciplinado ao comando militar do imperialismo. As massas são apresentadas como simples marionetes, como um rebanho de dóceis cordeiros do imperialismo e do CNT. Isso quando são suas ações que estão destruindo tudo o que possa associar-se à estabilidade da ordem burguesa na Líbia!

De que lado estamos?

Desenvolvamos a posição dos companheiros até o final. Em uma guerra civil, não é possível estar no meio. É necessário ter uma localização precisa do ponto de vista militar (do contrário, ou se vai para casa ou se recebe tiros dos dois lados). Partindo dessa premissa, de que lado a FT-PTS se colocaria no momento em que o povo armado ingressa e assalta Trípoli enfrentando as forças de Kadafi? Se, como defendem, os combatentes líbios armados são apenas “soldados do imperialismo”, “tropas terrestres” da OTAN (uma divisão de tarefas na qual este órgão imperialista ataca por ar e os rebeldes atacam por terra), e se, por outro lado, a FT-PTS está contra a OTAN e contra os rebeldes (“soldados imperialistas”), então se coloca no campo militar de Kadafi. Com mais razão ainda quando afirmam que o resultado de tudo isso seria “um governo ainda mais pró-imperialista que o de Kadafi”. Para eles, Kadafi é o “mal menor”.

Se os rebeldes são “tropas terrestres” do imperialismo, então deveríamos ter festejado cada combatente morto pelas mãos de Kadafi, com quem devemos fazer unidade de ação militar para defender Trípoli e lutar até a expulsão do imperialismo.

Se dermos crédito à coerência desses companheiros, surge a pergunta de por que afirmam que “paira a dúvida sobre a capacidade que o Conselho Nacional de Transição (CNT) terá de conseguir colocar em pé um novo governo minimamente estável”.5 Por que deveriam existir dúvidas da futura estabilidade do “novo governo” se o que existe na Líbia são “tropas terrestres” do imperialismo que, além do mais, estão centralizadas sob a “completa e rigorosa direção” do CNT? Tudo deveria estar em ordem.

A questão é que a realidade é oposta ao que eles apresentam. O CNT e o imperialismo sabem que terão muitos problemas para apaziguar e desarmar as massas, porque existe um processo revolucionário avançado que obteve uma impressionante conquista democrática, em que o povo se sente vitorioso. Eles têm a feroz contradição de não terem podido colocar tropas próprias e de estarem em meio a uma revolução em curso. O CNT não apenas não centraliza todas as milícias como tampouco tem a autoridade ou a força necessária para desarmar facilmente as massas. Esta é a principal preocupação do imperialismo, do CNT e das demais burguesias árabes.

O sinal de igual entre o processo na base e as direções

Os companheiros cometem um gravíssimo erro conceitual: confundem os processos sociais com suas direções políticas, algo alheio ao marxismo. Na Líbia, colocam um sinal de igual entre o que há de mais vivo, rico e poderoso do processo revolucionário (a impressionante ação das massas) com sua direção política reacionária. Raciocinam de forma mecânica e, portanto, antimarxista. Transformam a contradição do processo (intervenção imperialista e direção entreguista do CNT) em algo absoluto.

A FT-PTS exige, para apoiar a luta das massas, uma “direção marxista revolucionária que levasse o processo conscientemente ao triunfo”,um“programa de ação conscientemente anti-imperialista…”. A base é um raciocínio idealista: como minha ideia de Revolução de Outubro “pura” não se deu na realidade, então não houve conquista das massas nem revolução, foi tudo um desastre, uma derrota. A realidade é a que nós queremos que seja. Se não for assim, ajustamo-la aos nossos desejos. Raciocinando assim, a FT-PTS deve se opor a todos os processos revolucionários árabes, pois em todos, de uma ou de outra maneira, o imperialismo interveio e intervirá e não existe uma direção marxista revolucionária que guie as ações das massas.

Deveria começar por retificar-se e negar o triunfo democrático no Egito, pois a queda de Mubarak foi acordada entre o imperialismo e a cúpula de um exército financiado e controlado por ele. A questão é que isso aconteceu porque existia um processo de mobilização fortíssimo que obrigou o imperialismo, depois de defender o ditador, a forçar sua saída para aplacar o processo revolucionário. Ou o imperialismo queria que as mobilizações acontecessem? O fato de o imperialismo intervir na queda de Mubarak significa que não foi uma vitória das espetaculares mobilizações das massas? Por causa dessa intervenção, devemos acusar as massas de “agentes do imperialismo”? A queda de Mubarak, eixo de um regime ditatorial pró-imperialista, coloca as massas em melhores ou piores condições para avançar em direção a conquistas maiores e até ao próprio socialismo? Para nós, coloca-as em melhores condições. Para a FT-PTS, em piores, pois tudo seria obra do imperialismo.

No mesmo sentido, se esta organização é coerente com o que defende para a Líbia, deve dizer que em Cuba nunca existiu revolução. Por acaso a guerrilha de Fidel era uma “direção marxista revolucionária” com um “programa de ação conscientemente anti-imperialista”? Nunca foi. Pelo contrário, a guerrilha de Fidel Castro foi financiada por setores da burguesia cubana e recentes investigações sérias, como a de Jon Lee Anderson, um simpatizante da revolução cubana, indicam que o imperialismo, através da CIA, também aportou financeiramente. O imperialismo apoiou Fidel contra Batista e considerava-o seu aliado. Tanto é assim que a primeira viagem de Fidel após tomar o poder foi a Washington. Por isso é possível dizer que em Cuba não foi feita uma revolução? A FT-PTS deveria dizer que tudo o que aconteceu na ilha caribenha desde 1959 foi um gigantesco plano do imperialismo. Mas não dizem nem dirão isso, demonstrando assim sua incoerência teórica e política. Tanto foi uma revolução que, para eles, Cuba ainda continua sendo um “Estado operário burocratizado”.

Ou o caso da revolução de fevereiro de 1917 na Rússia, praticamente espontânea e inconsciente, que terminou dando o poder ao príncipe Lvov. O processo tinha o imperialismo alemão fazendo tudo o que podia para acelerar a queda do Czar (inclusive apoiou a volta de Lenin para a Rússia). Devido a todos esses elementos, os revolucionários deixaram de analisar a queda do Czar como um elemento qualitativo que permitiu a Revolução de Outubro? Se os companheiros fossem consequentes com o que dizem sobre a Líbia, a revolução de fevereiro também não teria sido uma revolução, uma conquista democrática das massas. Mais ainda, se estivessem em Petrogrado, em fevereiro-março de 1917, com certeza teriam o mesmo discurso dos mencheviques e dos socialistas revolucionários, que acusavam todos aqueles que criticavam o governo provisório burguês, sobretudo Lenin e os bolcheviques, de “agentes do imperialismo alemão” (algo assim como suas “tropas terrestres”).

A razão de fundo

Negar a enorme conquista democrática do povo líbio, e diluí-la em uma “vitória incontestável do imperialismo”, tem uma razão de fundo, que os companheiros ocultam de forma pouco honesta.

Diante da queda de Kadafi, eles reivindicam um marco geral teórico-político que sustenta sua posição: “A esta altura dos acontecimentos, com as grandes experiências que o movimento operário viveu durante o século XX, sem avançar com o resultado dos levantes de 1989-90 contra os regimes stalinistas que terminaram com direções que levaram à restauração capitalista, os companheiros da LIT, da IS e de organizações que defendem posições similares deveriam ter chegado à conclusão de que não necessariamente a derrota de um governo reacionário ou a queda de uma ditadura significa um avanço da revolução operária e socialista6.

Aqui, por outro caminho, terminam na mesma posição do castro-chavismo: apoiar Kadafi. Este tirano, diante da intervenção imperialista, seria uma espécie de “mal menor”. Está claro que, diante da intervenção imperialista que “contaminou” todo o processo, para os companheiros era preferível que Kadafi continuasse no poder. Provavelmente, desejem realidades mais simples. Mas a vida está cheia de contradições e é um fato que o imperialismo sempre (absolutamente sempre!) vai intervir nos processos revolucionários. Se esta corrente dirigisse esses processos, estaríamos sempre do lado de governos reacionários ou ditatoriais.

Tomemos alguns casos do período 1989-90. Em 1989, na China, houve um processo de mobilizações de massas contra os efeitos da restauração capitalista e contra a ditadura do PC. A ditadura massacrou o centro dos protestos na Praça Tiananmen, matou sete mil pessoas e feriu dez mil. O imperialismo apoiou essas mobilizações e existiam setores burgueses que as encorajaram. Devíamos ter acusado os manifestantes de “agentes do imperialismo” e nos opor a esta luta democrática? Esta era a posição do stalinismo mundial. Desenvolvendo o raciocínio da FT-PTS, deveriam dizer o mesmo e apoiar o massacre. Ainda mais quando, naquele período, eles pensavam que a China continuava sendo um Estado operário burocratizado (caracterização que aparentemente mudaram há pouco sem nenhum tipo de autocrítica).

Podemos dizer o mesmo sobre as mobilizações democráticas de 1989-90 que ocorreram na ex-URSS, apoiadas pelo imperialismo e por setores burgueses, com Yeltsin à cabeça. Falando de revoluções políticas: o trotskismo devia ter se oposto ao levante operário na Hungria em 1956 porque o imperialismo também apoiava claramente estes protestos contra a burocracia soviética? Devíamos ter feito o mesmo quando o imperialismo e todo o aparato da Igreja Católica apoiaram a luta do Solidariedade na Polônia na década de 1980?

A guinada ao castro-chavismo-stalinismo é surpreendente. De uma primeira posição em que reivindicavam e valorizavam o processo revolucionário popular pela queda do ditador líbio, foram mudando até chegar ao apoio a Kadafi, encoberto por uma fraseologia pseudorrevolucionária.

A posição da FT-PTS tem mais implicâncias políticas atuais além da questão líbia. No caso de Cuba, os companheiros defendem que lá o capitalismo ainda não foi restaurado, mas que subsiste um Estado operário burocratizado, portanto, não está colocada uma nova revolução social, mas sim uma revolução política. Que posição a FT-PTS teria se, como na Líbia, estourasse em Cuba um levante popular com aspirações democráticas contra a ditadura dos Castro e, como provavelmente aconteceria, o imperialismo e os gusanosapoiassem esses protestos e impulsionassem direções burguesas e entreguistas? Com sua formulação teórica sobre o caráter do Estado cubano e com seus argumentos, é muito provável que, devido ao apoio imperialista, coloquem-se do lado da defesa dos Castro (e de um suposto “Estado operário”) contra as massas. Se a ditadura dos Castro chegasse a cair, como caiu Kadafi: dirão que esta queda foi “reacionária”? A argumentação dos companheiros não tem nada de original, é a mesma que o stalinismo sempre utilizou para defender ditaduras contra as ações das massas.


NOTAS

1 - Debate com a LIT: A LIT considera progressiva a “unidade de ação entre as massas e o imperialismo” na Líbia?

2 - Declaração da FT: A OTAN tenta assegurar o controle da Líbia. Publicado em seu site em 25/8/2011

3 - Idem, grifo nosso.

4 - Idem, grifo nosso.

5 - Debate com a LIT: A LIT considera progressiva a “unidade de ação entre as massas e o imperialismo” na Líbia?

Tradução: Arthur Gibson

FONTE: site da LIT

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