\

Sejam bem vindos. O objetivo deste Blog é informar as pessoas sobre os mais variados assuntos, os quais não se vê com frequência nas mídias convencionais, em especial acerca dos direitos e luta da juventude e dos trabalhadores, inclusive, mas não só, desde o ponto de vista jurídico, já que sou advogado.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tunísia e Egito: Pela vitória completa das intifadas em curso (Cartuns – charges de Latuff e declaração da LIT)

Amigos e amigas,
Primeiramente, apresento charges do amigo Carlos Latutt @CarlosLatuff, cartonista brasileiro renomado internacionalmente e comprometido com as lutas sociais de todo o plante, sobre a Intifada egípcia em curso.
Ao final, trago a declaração da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI) rogando pela vitória completa da Infifada da Tunísa.
Peço que reproduzam amplamente essa postagem.
Adriano Espíndola.
=-=-=-=-=-=
Charges de Carlos Latuff
 
231483919.gif
 
 
231532097.gif
 
 
 
egypt.gif
 
231958236.gif
 
 
231974718.gif
 
=-=-=-=-
 
LIT-QI: Pela vitória completa da intifada tunisiana
A Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional saúda a insurreição popular, a Intifada, que acabou com 23 anos de ditadura na Tunísia. Os setores pobres do campo, os bairros operários e os jovens desempregados na vanguarda demonstraram que com luta consequente e sustentada é possível derrotar aos regimes mais repressivos.

A Tunísia é um país do Norte da África, situado em uma região, o Magreb, com muitos conflitos. Não faz muitos meses, o povo sahauri enfrentava a repressão do regime marroquino de Mohamed VI, em uma luta que já dura mais de 30 anos pelo direito a recuperar seu território.

Ao mesmo tempo em que a população tunisina levantava-se contra o regime de Ben Ali, os jovens desempregados da Argélia enfrentavam seu governo por causa do aumento nos preços de produtos de primeira necessidade.

O regime tunisiano de Ben Ali chegou ao poder há 23 anos, depois de um golpe de estado contra o regime surgido da Independência em 1951, e desde sua chegada ao poder desenvolveu a política decretada pelo FMI, de privatizações e austeridade, ao mesmo tempo em que avançava nos relacionamentos privilegiados com a União Europeia, particularmente com a antiga potência colonial, França, que tem 1350 empresas na Tunísia, além de empresas italianas (400), britânicas, belgas ou espanholas.

Nos últimos anos a Tunísia era apresentada como um exemplo do “milagre econômico” supostamente obtido pela aplicação das receitas de austeridade e liberalização do FMI e dos organismos imperialistas. Enquanto a União europeia e seus Acordos de Associação sustentavam a ditadura fantoche colonizando o país e condenando a população à miséria e à emigração.

Mas a explosão que começou com a morte do jovem vendedor ambulante em Sidi Bouzid, despiu a realidade de um país controlado por uma família, a do ditador Ben Ali, enriquecido pelos negócios com o imperialismo, com um alto nível de desemprego, que chegava a 40% entre os jovens graduados.

A corrupção generalizada, a fuga de cérebros, a dependência do imperialismo, o analfabetismo em amplas camadas da população do sul, especialmente nas regiões onde se produziram as primeiras mobilizações, unido à repressão policial, combinavam-se numa situação que cedo ou tarde tinha que explodir.

A revolta, que em um mês estendeu-se a todo o país, provocou a fuga do ditador à Arábia Saudita, após tentar que seu aliado francês, Sarkozi, o acolhesse; mas foi “desaconselhado” pela presença na França de centenas de milhares de emigrantes tunisinos junto dos milhões vindos do Magreb.

Desta maneira, o regime perdia o centro do poder e abria-se um vazio de poder, com as forças policiais, bastião fundamental do regime (são 150.000 policiais e outras forças de repressão - em média de um policial para 27 tunisinos – um recorde no Magreb), enfrentando a população e um exército que rompia com o governo de Ben Ali.

No vazio de poder que se cria, as forças policiais tentam provocar o maior caos possível para tentar derrotar a população. Mas estas se chocam com as massas populares, organizadas em Comissões de Defesa Popular em quase todas as cidades e bairros operários da capital, e com as forças do exército.

Antes de sua fuga o próprio ditador já reconhecia sua derrota frente à mobilização, primeiro demitindo o ministro do interior, depois todo o governo, ao final, e depois de um discurso no qual prometeu reformas democráticas, reduzir os preços e a criação de 300 mil postos de trabalho, anunciou sua intenção de não se apresentar à reeleição em 2014.

Mas a mobilização chegava já a seu ponto crítico, apesar da repressão e a mais de uma centena de mortos. Ninguém mais acreditava em suas promessas e o sindicato UGT-T, apesar do caráter pró regime de sua direção, não teve outro remédio a não ser declarar a Greve Geral.

Quando começam a surgir mobilizações de rua surgem em países como a Jordânia, Argélia, Egito, etc.; o governo marroquino, por sua vez, proíbe as manifestações. O incêndio social com epicentro na Tunísia ameaça todo mundo árabe e o Magreb.

O ditador foge, mas o aparelho da ditadura ainda sobrevive, em plena crise. Depois da fuga do ditador, o primeiro ministro Mohamed Gannuchi assume “temporariamente” o governo e propõe um governo de unidade nacional.

Às 20 horas, por pressões da oposição, Gannuchi deixa a presidência em mãos do Presidente do Parlamento, para encabeçar o governo de unidade nacional.

As forças da oposição entram em jogo para estabilizar a situação, com propostas da formação de um “governo de coalizão”, feita pelos Islamitas, ou de que se “garanta” o cumprimento do último discurso de Ben Ali, como exige a direção da UGT-T.

As potências imperialistas, a União Europeia e os EUA, os mesmos que sustentaram a ditadura, estão empenhados em “estabilizar” a situação sobre a base de preservar o Partido do regime Reagrupamento Constitucional Democrático (RCD), um partido que fez parte, até a saída do ditador, da Internacional Socialista, e cujos membros seguem em sua maioria no poder.

No dia seguinte forma-se um governo de coalizão onde entram forças da oposição e da UGT-T, mas os ministérios principais continuam nas mãos do partido de Ben Ali. Novamente as mobilizações contra esta fraude - a presença de restos da ditadura no governo - forçam a demissão dos opositores e da UGT-T, abrindo um novo vazio de poder.

Como afirma Fathi Chamkhi, professor de geografia e membro da Liga Tunisina de Direitos Humanos, a revolução tunisina "é uma revolução social e democrática. É democrática porque há reivindicações concernentes às liberdades políticas, e social, porque existem demandas econômicas e trabalhistas. Há uma acumulação de fatos durante 23 anos, aos quais se soma a crise mundial de 2008”.

Por isso, todas as forças da burguesia, de todas as cores, com o apoio aberto das potências imperialistas, estão empenhadas em desviar o curso do processo revolucionário, “estabilizar” o país e evitar assim que a queda do ditador se transforme em uma luta social revolucionária que, junto às liberdades democráticas, questione a dependência colonial e o próprio sistema social. Os setores populares e operários, ao grito de "Pão, água e não a Ben Ali", iniciaram um processo que abre o caminho para a luta pela Segunda Independência, e por uma saída socialista contra o sistema capitalista que os mata de fome. Uma via que contém o risco para o imperialismo e seus governos fantoches de se estender ao resto do Magreb e do mundo árabe.

O povo tunisino rompeu um dos sacrossantos princípios da sociedade capitalista, o de que a revolução não existe. Pese aos defensores de “esquerda” do sistema capitalista, como Bernard-Henri Lévy, que sustentam que a revolução é das classes médias e dos internautas e que “o motor desta revolução não foi o proletariado”, o processo insurrecional surgiu dos camponeses pobres do centro e sul do país e estendeu-se como rastilho de pólvora aos bairros operários da capital. A “revolta dos desempregados”, como é chamada por muitos, não desassociou até o momento suas demandas democráticas daquelas que lhes empurraram a sair à rua, o trabalho e o pão. Pão, trabalho e liberdade são os estandartes da luta do povo tunisino.

As mobilizações continuam nas ruas e setores como os professores declararam a greve geral indefinida.

Obviamente nenhum setor da burguesia está interessado em levar até suas últimas consequências a revolução iniciada na Tunísia. Todos eles e suas instituições, como o partido do ditador - o RCD - e o exército, cedo ou tarde entrarão em choque com a classe trabalhadora, o que implicará, sem nenhuma dúvida, a luta entre a contrarrevolução “pseudo-democrática” apoiada pelos imperialistas e os governos árabes, assustados pelos acontecimentos, e as massas populares em sua luta resoluta pelo desmantelamento da ditadura, pela soberania nacional e por pão e trabalho para todos.

O empenho da contrarrevolução não é outro que o de levantar uma barricada contra a perspectiva socialista mais ou menos consciente aberta pelo processo revolucionário.

Trata-se portanto de apoiar incondicionalmente a mobilização operária e popular para conseguir as plenas liberdades democráticas, a anistia dos presos, desmantelar até a raiz as estruturas da ditadura e dos aparelhos repressivos, depurando-os e processando os responsáveis pelas matanças.

Trata-se de recuperar as riquezas roubadas pela família de Ben Ali, expropriando todas suas empresas, nacionalizando-as sob o controle dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Trata-se de romper os acordos com o imperialismo, acordos de dependência e espólio, e com uma União Europeia responsável pela miséria do povo da Tunísia.

Os restos da ditadura, os bandos paramilitares que já começaram a atuar a partir da polícia, com o apoio dos governos da região (Líbia, especialmente), têm que encontrar adequada resposta na organização da classe trabalhadora e do povo, tal e como começaram a fazer com a conformação das Comissões de Defesa Popular, sua extensão é chave para frear as tentativas contrarrevolucionárias. Neste sentido, os soldados e suboficiais devem integrar essas Comissões e não esperar que nenhum comando militar enfrente coerentemente a contrarrevolução.

A classe trabalhadora e o povo tunisino estão dando um exemplo ao mundo e assim devem seguir sem depositar nenhuma confiança em “governos de unidade nacional”, “de coalizão”, etc., onde se integrem forças burguesas, já que estas tenderão inevitavelmente ao pacto e à negociação com o imperialismo para estabilizar a situação à custa de esquivar-se das demandas populares, do desemprego em massa, do analfabetismo, da miséria e da dependência colonial.
 
A única garantia de que estas demandas sejam atendidas é como fez até agora o povo tunisino, a mobilização independente e consequente contra as manobras, organizando-se e apoiando suas organizações, com o objetivo de avançar na constituição de um governo dos trabalhadores e do povo.

A revolução tunisina vai enfrentar enormes perigos, especialmente pela intervenção dos governos da Liga Árabe, em particular os do Magreb, e do imperialismo. Este isolamento tem que ser rompido pela solidariedade internacional.

Os jovens e os trabalhadores e trabalhadoras tunisinos só podem contar com o apoio de seus irmãos de classe do Magreb e do mundo árabe. É responsabilidade de suas organizações operárias e populares não permitir o isolamento da revolução tunisina, convocando ações de solidariedade e contra seus governos pró-imperialistas.

A LIT-QI compromete todas suas forças no apoio e extensão da luta revolucionária das massas tunisinas por um futuro melhor.

Pela vitória da revolução tunisiana!
Por uma Federação de Repúblicas Socialistas do Magreb!


23 de Janeiro de 2011

Liga Internacional dos Trabalhadores, clique aqui e visite o nosso site.

Nenhum comentário: