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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A SANFONA QUE NÃO CALA: vinte anos sem o Rei do Baião


ROBERTO AGUIAR, de Aracaju-SE, para o Site do PSTU

No dia 2 de agosto de 1989, morreu um dos maiores ícones da música brasileira, Luiz Gonzaga, o “Rei do Baião”

Gonzaga foi o criador de um gênero musical

genuinamente brasileiro, o forró. Fez com a sanfona, o triângulo e a zabumba o ritmo que foi popularizado de norte a sul do país, retratando, de uma forma simples e bela, o cotidiano do homem nordestino e de sua cultura. O Rei do Baião fez do forró o mais brasileiro de todos os ritmos.

As dificuldades vividas pelo povo nordestino, a simplicidade de vida e o orgulho pela sua terra são notórios nas letras, no ritmo, na dança, no chapéu de couro que são características únicas do pé-de-serra.

Nascido em Exu, interior de Pernambuco, Luiz Gonzaga era um homem simples, negro e matuto. Segundo ele, “um amarelo, bochudo, zambeta, cabeça de papagaio, feio pá peste”. Observando o pai animar bailes e consertar sanfonas, Gonzaga ganha intimidade com o instrumento que mudou sua vida ainda criança. No inicio, sua mãe Dona Santana não queria que o filho seguisse o caminho do pai, Seu Januário.

Quando jovem, em 1930, Gonzaga se alistou ao exército e ficou conhecido como “Bico de Aço” pela sua habilidade com a corneta. Em 1939, sai das forças armadas e vai para o Rio de Janeiro tentar a sorte como músico. Começou a cantar no “Mangue”, região do meretrício do Rio de Janeiro, como ele dizia. Tocou de tudo: choros, sambas, valsas, tangos e outros ritmos. Porém nenhum ritmo de sua região. Certa vez, foi questionado por um grupo de cearenses, por não tocar músicas nordestinas. Com o puxão de orelhas, as músicas de sua terra passaram a ser o carro-chefe de sua carreira.

“Dança da Mariquinha” foi a primeira música gravada como cantor, em 1945. Nessa data, já tinha sido contratado pela Rádio Nacional depois do sucesso alcançado ao vencer, em 1941, o concurso no famoso programa de Ary Barroso com a música “Vira e Mexe”.

Seu maior sucesso, sem dúvida alguma, foi e continua sendo “Asa Branca”. Uma espécie de hino do nordeste, a música foi composta em parceira com Humberto Teixeira e gravada em 1947. A primeira lição do abc nordestino é aprender a cantar “Asa Branca”. A letra fala do sertão, da seca e da esperança “da chuva cair de novo, pra mim voltar pro meu sertão”. Em parcerias com outros grandes compositores como Zé Dantas, Onildo Almeida e Zé Marcolino criou lindas canções que até hoje são obrigatórias nos repertórios das grandes festas juninas que animam o nordeste.

Luiz Gonzaga e a Política

No que se refere à política, Gonzaga foi muito conservador. Apesar de suas composições retratarem a vida difícil do povo nordestino, como nas músicas “Asa Branca”, “Vozes da Seca”, “Ai seu Generá” e “Andarilho”, tinha horror aos políticos denominados de esquerda. Em sua passagem pelo exército, passou admirar os generais e, em 1964, declarou apoio à ditadura.

Gonzaga sempre era convidado para tocar nos saraus presidenciais e chegou a afirmar que “não havia tortura no Brasil”. Mas, foi vítima da própria ditadura, que o proibiu de cantar nos shows as músicas “Vozes da Seca”, “Paulo Afonso” e “Asa Branca”.

Com o aumento das denúncias de tortura e mortes de vários ativistas, Gonzaga vai se desprendendo um pouco mais dos governantes e compõe com Humberto Teixeira “Salmo dos Aflitos”. No governo Geisel, em 1978, no seu disco “Dengo Maior”, a música foi incluída. Em 1980, gravou “Pra não dizer que falei das flores” de Geraldo Vandré.

Gonzagão e Gonzaguinha

Muitos se decepcionavam com a posição política de Luiz Gonzaga, incluindo seu filho Gonzaguinha. Durante anos, pai e filho tiveram um relacionamento difícil e distante. Somente, em 1981, os dois fizeram as pazes e proporcionam um grande momento histórico da música popular brasileira com a turnê “Vida de Viajante”, registrada no disco “Descanso em casa, moro no mundo”.

O Rei do Baião continua vivo

Em sua trajetória, Gonzaga dividiu o palco com grandes artistas como: Gal Costa, Sivuca, Elba Ramalho, Carmélia Alves, Marines, Nélson Gonçalves, Dominguinhos, Oswaldinho do Arcodeon, Genival Lacerda e Fagner.

Entre suas centenas de músicas gravadas, algumas são obrigatórias em qualquer coletânea do cantor: Baião, Xote das Meninas, Cintura Fina, Samarica Parteira, Qui nem Jiló, No meu Pé-de-Serra, Numa Sala de Reboco, Juazeiro, Assum Preto, Feira de Caruaru, Respeita Januário, Cheiro de Karolina, Olha pro Céu, Triste Partida, A volta da Asa Branca, Súplica Cearense, Paraíba, Aproveita Gente, Pagode Russo, Forró nº 1, Sanfoninha Choradeira, Nem se Despediu de Mim, Forró de Cabo a Rabo, ABC do Sertão, Riacho do Navio e Vozes da Seca.

Luiz Gonzaga continua vivo entre nós. Suas canções continuam animando festas juninas país afora. Não há festa de São João sem Gonzagão.

Os 20 anos da morte do “Rei do Baião” não silenciaram a sua sanfona.

fonte: site do pstu

Um comentário:

Wilson Rezende disse...

Esse Sr. merece o nosso respeito, ótimo final de semana para tia Adriano, um grande abraço.

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